6 de novembro de 2026
Brasil

Copom vê inflação maior e atividade fraca no Brasil

Banco Central manteve a Selic em 13,75% diante da piora das expectativas de inflação e da desaceleração econômica; mercado já alerta para risco de estagflação/Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reconheceu uma desaceleração mais acentuada da economia brasileira, mas também identificou uma piora nos riscos inflacionários. A combinação dificulta a condução da política monetária e aumenta a preocupação com um cenário de inflação elevada, juros altos e baixo crescimento, característico da estagflação.

Na última reunião, o colegiado manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano. O comunicado apontou que os indicadores recentes mostram perda de força da atividade, principalmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. O mercado de trabalho continua resiliente, mas já apresenta sinais de desaceleração.

Ao mesmo tempo, as projeções de inflação do Banco Central para o horizonte relevante subiram de 3,2% para 3,5%. A revisão ocorreu mesmo com a consideração de uma trajetória de juros mais elevada, conforme as expectativas coletadas pelo relatório Focus.

O Copom resumiu o cenário como um desafio para a política monetária:

“O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução.”

Mercado alerta para risco de estagflação

As projeções de instituições financeiras ampliaram a preocupação com a combinação de inflação persistente e crescimento baixo.

Uma revisão de cenário do Itaú Unibanco, assinada por Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, projetou inflação de 6,1% e crescimento de apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027.

Outras instituições também passaram a trabalhar com a possibilidade de manutenção da Selic em 13,75% durante o horizonte de projeção. As avaliações apontam que a ausência de mudanças na condução da política econômica pode agravar tanto a desaceleração da atividade quanto a pressão inflacionária.

O Banco Central, por sua vez, não descartou novos cortes de juros no futuro. A autoridade monetária mantém a possibilidade condicionada à evolução das expectativas e dos indicadores econômicos.

Histórico de ruídos fiscais afeta confiança

A relação entre o governo Lula e o mercado financeiro foi marcada por divergências sobre a meta de inflação e a condução da política monetária desde o início do atual mandato.

Lula criticou publicamente a meta de inflação de 3%, que considerava restritiva, e fez cobranças ao Banco Central, então presidido por Roberto Campos Neto. O debate não alterou o centro da meta. Fernando Haddad, à época ministro da Fazenda, defendeu sua manutenção.

Outro episódio que afetou a confiança ocorreu no fim de 2024, quando o governo anunciou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. A divulgação coincidiu com as discussões de Haddad sobre medidas para conter o crescimento das despesas públicas.

A combinação dos anúncios provocou reação negativa nos mercados e contribuiu para a desvalorização dos ativos brasileiros. Na sequência, o Banco Central elevou a Selic em 4,5 pontos percentuais ao longo do ciclo de aperto monetário.

Agora, a discussão sobre a política econômica do próximo mandato ocorre em meio à desaceleração da atividade e à piora das expectativas de inflação. A recuperação da confiança dos agentes econômicos aparece como um dos fatores que podem influenciar os próximos passos do Banco Central.

Fonte: claudiodantas.com.br/por Mariana Albuquerque


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