Comer alimentos crus na gravidez eleva risco de infecção por microrganismos
Alimentos crus podem transmitir microrganismos à mãe, o que pode trazer consequências graves ao bebê/Unsplash
A gravidez é um período em que a mulher precisa reforçar alguns cuidados para que tanto ela quanto o bebê tenham saúde plena até o fim da gestação. Uma das principais preocupações está relacionada à alimentação.
Isso porque, dependendo do preparo, certos alimentos consumidos crus podem transmitir microrganismos perigosos à mulher, já que nesse período o organismo feminino passa por um momento de maior vulnerabilidade imunológica.
“Durante a gestação, alterações do sistema imunológico aumentam a vulnerabilidade a algumas infecções transmitidas por alimentos. Além disso, certos agentes podem atravessar a placenta ou afetar a gestação, com consequências potencialmente graves para o feto, mesmo quando a mãe apresenta sintomas leves”, explica a nutricionista Virgínia Nunes Lima, conselheira do Conselho Federal de Nutrição (CFN).
Na lista de alimentos com maiores riscos se consumidos crus ou insuficientemente cozidos, estão carnes, aves, pescados, frutos do mar e ovos. “Leite cru e produtos não pasteurizados; frutas, verduras e legumes sem lavagem e sanitização adequadas; e preparações expostas à contaminação cruzada também são perigosos”, alerta Virgínia.
Alimentos da culinária japonesa, muito conhecidos por serem consumidos justamente crus, como sushis e sashimis, também estão na lista de cautela para ingestão durante a gravidez, pois peixes crus podem transmitir bactérias e parasitas. “Para gestantes que não dispensam uma comida japonesa, a dica é optar por opções completamente cozidas ou pratos vegetarianos”, alerta a nutricionista.
Quais microrganismos podem trazer consequências graves ao bebê?
Entre os agentes infecciosos que podem ser transmitidos por alimentos crus ou pouco cozidos estão:
- Listeria monocytogenes: capaz de provocar aborto, óbito fetal, parto prematuro ou infecção grave ao recém-nascido, enquanto a mãe apresenta apenas sintomas mais leves, como febre, cansaço e dores musculares.
- Toxoplasma gondii: agente responsável por causar a toxoplasmose, infecção que pode ser transmitida ao feto e causar sequelas graves, como inflamação cerebral, microcefalia, hidrocefalia e problemas na visão.
- Salmonella spp., Escherichia coli e Campylobacter spp.: esses agentes podem causar problemas gastrointestinais, febre e desidratação.
Além dos alimentos crus, consumir comidas que tiveram contato com água ou superfícies contaminadas também pode transmitir vírus perigosos à gestante e ao bebê, como o norovírus e o vírus da hepatite A.
“Os agentes infecciosos não estão vinculados somente a alimentos visivelmente crus. A listeria também pode ocorrer em alimentos prontos, refrigerados e produtos não pasteurizados; a toxoplasma está associado sobretudo a carnes cruas ou malpassadas, água e vegetais contaminados; a salmonella pode estar em ovos, aves e outros alimentos”, ressalta Virgínia.
Comi um alimento cru na gravidez. O que devo fazer?
A principal medida é manter a calma. O consumo de um alimento cru não significa necessariamente que a gestante irá se contaminar com algum agente infeccioso perigoso. “Se uma grávida consumir um alimento de risco, o primeiro passo deve ser conversar com seu médico para receber orientações e, em seguida, monitorar se há sintomas. Caso os desenvolva, é importante procurar atendimento especializado”, recomenda a ginecologista Helga Marquesini, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Entre os principais sinais de alerta após o consumo, estão febre, mal-estar, dores musculares semelhantes à gripe, náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, sangue nas fezes ou sinais de desidratação, como pouca urina, boca seca e tontura.
Segundo as especialistas, engravidar não significa ter uma alimentação restrita, mas sim tomar cuidados redobrados na seleção e preparo dos alimentos. Atitudes simples, como lavar as mãos, usar água e matérias-primas seguras, cozinhar os alimentos completamente, verificar se leite, queijos e sucos são pasteurizados e olhar a validade, armazenamento e procedência dos produtos, são essencias para evitar riscos.
“Em refeições fora de casa, é prudente escolher estabelecimentos com boas condições higiênico-sanitárias e preferir preparações feitas na hora e servidas bem quentes”, diz Virgínia.
Fonte: metropoles.com/Jorge Agle