Com 5 mil crianças sem vaga e R$ 26 mi em caixa, Adriane mantém 7 obras de escolas abandonadas

São 8 obras de Emeis que poderiam resolver a falta de vagas na educação infantil (Fotos: O Jacaré)

Enquanto mais de 5 mil crianças seguem à espera de uma vaga em creche em Campo Grande, sete das oito Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil) que a prefeita Adriane Lopes (PP) prometeu concluir, continuam abandonadas. A maior parte dos centros de educação infantil continuam paradas, apesar do repasse de R$ 26,2 milhões pelo Governo federal para a conclusão das obras.

Em visitas aos canteiros, a reportagem encontrou obras paradas, estruturas inacabadas e mato alto onde deveriam estar funcionando salas de aula para ajudar a reduzir o déficit na educação infantil. A prefeitura de Campo Grande, em novembro de 2024, dizia que a gestão Adriane Lopes havia concluído licitação para contratar a empresa para concluir obra da Emei Radialista. No mesmo texto, dizia que tinha realizado licitação para concluir total de 8 Emeis e que educação é uma prioridade da prefeita.

O Jacaré percorreu as oito Emeis que Adriane Lopes prometeu concluir e assim acabar com o déficit de vagas na educação infantil. Um ano e meio depois, apenas uma obra está em andamento e com chance de ser concluída, as outras sete estão exatamente como antes, abandonadas, ocupadas apenas pelo mato alto, lixo e bichos.

Em abril de 2025, Adriane afirmou que assumiu a responsabilidade de concluir todas as obras paralisadas e declarou que o objetivo da administração era zerar a fila de espera por vagas em EMEIs. Na ocasião, anunciou que receberia R$ 21 milhões do Governo federal para retomar obras de cinco EMEIs paralisadas.

As oito Emeis estão localizadas em bairros populosos de Campo Grande e fariam muita diferença na vida dos moradores. Mais de uma vez a reportagem ouviu: “queria que minha neta estudasse ai, mas ela já está adolescente e a obra não terminou”. Os moradores que conversaram com a reportagem foram unânimes em afirmar que a Emei faria muita diferença, mas já não têm esperanças.

“Queria creche para que a minha neta estudasse e ficasse aqui perto de mim, mas ela já tem 12 anos e só agora parece que vão concluir a obra, mesmo assim acho que ainda demora”, disse Glades Mercedes, moradora da Vila Popular.

Porque da demora?

Se a prefeita divulgou massivamente que se comprometeu a terminar as obras paradas das Emeis e tem dinheiro em caixa para isso, porque as obras não andam? Na opinião da vereadora Luiza Ribeiro (PT), falta vontade, mas a morosidade também integra um problema bem mais complexo da gestão Adriane Lopes. O teto de gastos com pessoal.

Dados do primeiro quadrimestre mostram que os gastos com pessoal da prefeitura soma 53,97% da receita corrente líquida de o limite legal é de 54%, ou seja, ela não pode fazer contratações.”Quando abre uma Emei, a prefeitura tem que contratar pelo menos 50 profissionais, entre as pessoas da limpeza, da alimentação, professores e assistentes”, lembra Luiza Ribeiro.

Para ela, como a prefeitura não tem como contratar mais pessoal, acaba por postergar as obras. Então nós temos oito Emeis que poderiam ser abertas, mas se você multiplicar isso por 50 funcionários dá um impacto importante na folha de pagamento”.

Confira a situação de cada Emei:

Emei Radialista

Em novembro de 2024 a prefeitura informou que concluiu licitação para terminar a obra, parada há mais de uma década, a Dias Construtora e Empreendimentos foi contratada por R$ 2.650.302,81 em fevereiro de 2025, mas em abril de 2026 o contrato foi encerrado, sem que nenhuma melhoria fosse feita. A obra fica na região do Jardim Radialista e poderia contemplar 250 crianças

Emei Moreninha II

Em abril de 2025, a prefeitura anunciou que receberia R$ 21 milhões do governo federal para retomar obras de cinco EMEIs paralisadas, incluindo a Moreninha II.

O valor pactuado é de R$ 4.128.769,68, mas a obra segue parada desde 2013.

Emei Nashiville

Assim como a Moreninhas II, a prefeitura recebeu R$ 3.452.735,88 do FNDE para conclusão dessa Emei, que também segue abandonada, apesar do recurso federal ter chego.

Por lá, os moradores já nem têm esperança de ver a obra sair do papel e no espaço há apenas o alicerce construído.

Emei Serraville

No Serraville, região do Noroeste, a situação não é diferente. O recurso federal para conclusão é de R$ 3.395.967,70, mas a obra segue do mesmo jeito há mais de uma década: abandonada.
Por lá, a obra foi abandonada em estágio mais avançado, com todas as paredes concluídas, sem sinal do telhado.

Emei Talismã

Desde 2023 a prefeitura de Campo Grande tem a missão de contratar empresa para terminar a obra da creche do Talismã. O Governo Federal repassou R$ 5.412.986,89 em recursos, mas o espaço segue completamente abandonado, tomado pelo matagal e acumulando lixo.

Virou um ponto para propagar pragas e doenças.

Emei Colorado

A Emei do Jardim Colorado recebeu R$ 3.564.417,04 em recursos federais e consta no Portal do FNDE com 8% executada, mas no local existe apenas um tapume cercando o terreno baldio, sem nenhuma construção.

Consta uma placa a Sagres Engenharia, mas não há contrato em vigor com a prefeitura. Nem previsão de conclusão da obra.

Emei Anache

Em um dos bairros mais populosos de Campo Grande, a obra da Emei foi paralisada com mais de 90% concluída. A empresa 3HF Construção já recebeu R$ 1,5 milhão pela obra, que se inaugurada, abriria mais de 200 vagas para crianças.

No dia 5 de junho, a prefeitura paralisou a obra retroativo a 1º de abril.

Emei Popular

Em fevereiro de 2025, a Gimenez Engenharia foi contratada para concluir a obra na Vila Popular, que está em andamento, apesar das denúncias de funcionários com salários atrasados. A obra recebeu aditivos e atualmente está orçada em R$ 2.163.765,55.

Essa é a única das oito Emeis, com chance de ser concluída ainda no segundo mandato de Adriane Lopes.

Sem retorno

O Jacaré procurou a assessoria da prefeita Adriane Lopes para saber os motivos da paralisação, mas não teve retorno até a publicação desta matéria.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres/

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