Após 77 dias, Adriane dá “presente” de R$ 1 milhão a acusada por fraude no tapa-buracos
Adriane e o atual secretário de infraestrutura, André Brandão. (Foto: Arquivo)
A prefeita Adriane Lopes (PP) precisou de 77 dias, ou seja, quase três meses, para rescindir um dos sete contratos que possui com a empresa alvo da Operação Buracos Sem Fim. Além do longo período, ela ainda reconheceu dívida e deu de presente R$ 1 milhão para a Construtora Rial (atual Força Engenharia), investigada por superfaturamento e desvio na operação tapa-buracos.
Apesar de ser alvo do Ministério Público Estadual, que apontou indícios de que a empresa comandava “consórcio criminoso voltado ao desvio de recursos públicos” da Prefeitura de Campo Grande, a empreiteira não sofreu nenhuma punição da gestão Adriane Lopes. Pelo contrário, foi agraciado pelo valor extra de R$ 1 milhão.
O contrato em questão foi firmado em 5 de janeiro deste ano, com valor inicial de R$ 6.979.892,07, mas apesar de poucos meses de execução, já havia recebido R$ 2.057.672,18 de aditivos e passou para R$ 9.037.564,25. A empresa recebeu até maio, R$ 2.627.609,39 neste contrato.
Conforma o Portal da Transparência municipal, a gestão Adriane Lopes mantém sete contratos ativos com a Construtora Rial, sendo seis deles para tapa-buraco. Os outros contratos seguem ativos, mas devem ser rescindidos também, conforme determinação juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal de Campo Grande, acatou pedido do Ministério Público Estadual para proibir a participação da construtora de Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, o Peteca, e Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, de participar de licitações.
Repasses de R$ 2,2 milhões
Desde a deflagração da Operação Buracos Sem Fim, em 12 de maio deste ano, a prefeitura fez quatro empenhos de pagamento para a Construtora Rial, que somam R$ 2,285 milhões. Todos entre junho e julho e relacionados a contratos diferentes. Na prática, significa que a Rial pode ter bem mais que R$ 1 milhão para receber ainda da prefeitura.
Só nos quatro primeiros meses de 2026, antes da operação do Gaeco, a Rial recebeu R$ 17.001.579,74 da prefeitura, conforme dados da transparência municipal. O operação apurou que a empresa recebeu R$ 113 milhões entre 2018 e 2025, período em que evolução dos pagamentos por ano foi explosiva, chegando a 30 vezes em 2024, já na gestão Adriane Lopes (PP).
Dados da Transparência municipal mostra que em 2018 a Rial recebeu pouco mais de R$ 1 milhão da prefeitura, mas os valores saltaram para R$ 5,5 milhões em 2020, R$ 7,9 milhões em 2021 e R$ 23,2 milhões em 2023. Já em 2024, a construtora recebeu R$ 32,4 milhões da prefeitura de Campo Grande.
Na Operação Buraco sem fim, foram presos o ex-secretário Rudi Fiorese, os servidores municipais Mehdi Talayeh, Edivaldo Aquino Pereira, Fernando de Souza Oliveira e Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula. Além dos empresários da Rial, Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa e seu pai Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa.

A prefeita poderia entrar com ação na Justiça para cobrar a restituição dos valores desviados e encontrar uma solução para acabar com os buracos nas ruas e avenidas da Capital. No entanto, houve mais empenho em buscar meios para repassar dinheiro para a construtora do que para defender o cidadão, que corre risco de vida ao trafegar pelas vias esburacadas da Capital.
Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres