Anvisa autoriza empresa a produzir mosquito com bactéria antidengue

A empresa Flyttr (antiga Oxitec) poderá produzir mosquitos Aedes aegypti contaminados com Wolbachia, que atua no combate à doença/Joao Paulo Burini/Getty Images

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou que a empresa Flyttr (antiga Oxitec) “produza” mosquitos Aedes aegypti para carregar a bactéria Wolbachia. O método impede que os vírus da Dengue, Zika e Chikungunya se disseminem e contaminema  população.

Até a liberação, o único fornecedor autorizado era a Wolbito do Brasil, uma biofábrica instalada em Curitiba (PR), resultado de uma joint venture entre o World Mosquito Program (WMP) e a Fiocruz, inaugurada em abril de 2024.

A Wolbachia é uma bactéria presente em aproximadamente de 60% dos insetos no mundo. Em laboratório, a equipe de pesquisadores conseguiu introduzir esta bactéria, que foi retirada da mosca-da-fruta, dentro dos ovos de Aedes aegypti. Estudos apontal que houve reduções de até 89%, quando a bactéria está presente no mosquito, dos vírus, que não se desenvolvem, reduzindo a sua transmissão.

O que é o método Wolbachia?

  • A Wolbachia é uma bactéria presente de forma natural em cerca de 50% a 60% de todos os insetos.
  • Desenvolvido em 2008 na Universidade de Monash, na Austrália, o método Wolbachia consiste em transferir a bactéria para o Aedes aegypti, que não a possui naturalmente.
  • A presença da Wolbachia atrapalha o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya, ajudando na redução das doenças.
  • Como consequência, os mosquitos infectados com Wolbachia apresentam uma carga viral significativamente menor, o que reduz a capacidade de transmissão dos vírus durante a picada.
  • Após a colonização artificial, os mosquitos infectados com a Wolbachia são soltos para se reproduzirem com os insetos locais, gerando uma nova população de Aedes aegypti com carga viral menor.
  • A bactéria não pode ser transmitida para humanos ou outros mamíferos.

O método Wolbachia chegou ao Brasil em 2012 para ser estudado. Dois anos depois, a primeira cidade brasileira a receber a tecnologia foi Niterói, no Rio de Janeiro. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, houve redução de 69,4% dos casos de dengue, 56,3% dos de chikungunya e 37% nas ocorrências de zika.

Fonte: metropoles.com/Giovana Alves

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