Adriane triplicou gastos com manutenção, mas buracos “explodiram” e causaram até mortes
Prefeita elevou gasto médio anual com operação tapa-buracos de R$ 13 milhões para R$ 34 milhões, mas não acabou com buraqueira (Foto: Arquivo)
A prefeita Adriane Lopes (PP) mais que triplicou o gasto com a manutenção das vias públicas, mas não impediu a “explosão” na quantidade de buracos nas ruas e avenidas de Campo Grande. Levantamento exclusivo feito pelo O Jacaré no Portal da Transparência mostra que o investimento médio na Operação Tapa-buracos saltou de R$ 13,5 milhões para R$ 46,3 milhões, aumento de 242%, mas a buraqueira tomou conta das vias públicas, causando transtornos aos motoristas e até mortes no trânsito.
Os dados revelam que o problema não foi falta de dinheiro. Nesta terça-feira (12), a Operação Buracos Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público Estadual, mostrou que a corrupção pode ser a causa de o dinheiro destinado à manutenção das vias públicas estar indo para o ralo.
Nos últimos sete anos, a prefeitura investiu R$ 239,6 milhões em três empresas de tapa buraco – Construtora Rial, RR Barros e Arnaldo Santiago – entre 2018 e 2025. Na gestão Marquinhos, de 2018 a 2021, o total gasto com tapa-buracos foi de R$ 54,1 milhões. Já no mandato de Adriane, de 2022 até o ano passado, o montante saltou para R$ 185,4 milhões.

Dados: Portal da Transparência. Imagem gerada por IA
O levantamento considerou os pagamentos anuais feitos às três empresas. Em todas, o crescimento dos valores recebidos é mais relevante a partir de 2022, como mostram os gráficos, mas em relação a Rial, os números são muito expressivos.
Em média, Marquinhos aplicou R$ 13,5 milhões por ano e conseguiu minimizar o problema. Já Adriane triplicou o gasto, elevando a aplicação média anual para R$ 46,5 milhões, mas não impediu a proliferação de buracos. Além de transtornos com pneus e parte mecânica, os buracos causaram, pelo menos, duas mortes de motociclistas na Capital.

A Rial, alvo da Operação Buracos Sem Fim, recebeu R$ 108.348.319,01 em sete anos, enquanto no mesmo período a RR Barros recebeu R$ 67.646.309,84 e a Arnaldo Santiago R$ 68.609.765,47. Todos os números são do Portal da Transparência de Campo Grande.

Má gestão explica?
Não é preciso ser especialista para ver que houve, no mínimo, má gestão na aplicação dos recursos de tapa-buraco nos últimos anos, em Campo Grande. Já que a pauta é reclamação unânime entre os campo-grandenses e parece não ter fim.
Para a vereadora Luiza Ribeiro (PT), Campo Grande vive problemas generalizados de falta de gestão, não só na infraestrutura. “Não é só o serviço de tapa buraco que consumiu imensas somas de recursos e não verificamos correspondente prestação de serviços. O mesmo se dá em relação aos gastos com serviços de iluminação pública, limpeza e saúde. Não é só incompetência”, afirma.
O ex-prefeito e atual vereador Marquinhos Trad (PDT), que esteve a frente da prefeitura de 2017 a 2022, lembra que na sua época a cidade também estava cheia de buracos, mas foi orientado pela UFMS a fazer recapeamento ao invés de tapa buracos, para melhorar os efeitos.
“Na época da licitação, eu determinei que os lotes seriam divididos em regiões, como sempre foi e que nenhuma empresa poderia ser vencedora em mais de uma região. A Rial ganhou apenas um lote, só aumentou depois que eu sai”, afirma.
Ele ainda defende que a Operação Buraco Sem Fim não contesta a licitação, mas sim a execução dos serviços e os respectivos pagamentos. “Não aumentou tanto os valores de materiais para aumentar tanto o contrato”, disse ele sobre os valores.
O vereador Maicon Nogueira (PP), usou a tribuna da Câmara para falar sobre as denúncias que envolvem a prefeitura. “Não basta não roubar, não se pode deixar que roubem. Não vejo indignação da prefeita sobre esses indícios de corrupção e isso não pode acontecer”.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres