6 de novembro de 2026
Entretenimento

Proibição de bets levará R$ 25 bi para ilegalidade, diz estudo

Em maio deste ano, de 38% a 44% do valor apostado no Brasil estava em plataformas não autorizadas

Tendência é que parte dos apostadores migre para plataformas clandestinas com o encerramento das atividades reguladas

A proibição da operação de plataformas de apostas on-line no Brasil pode criar um efeito inverso à proteção da população e da economia. Um estudo realizado pela consultoria de dados H2 Gambling Capital, publicado em setembro de 2026, mostra que cerca de 60% do valor aplicado no jogo legal, de aproximadamente R$ 40 bilhões por ano, tende a continuar sendo usado em apostas, mas em plataformas ilegais. O percentual equivale a R$ 25 bilhões. 

Assim, uma das consequências da proibição estabelecida pela MP (medida provisória) nº 1.394 de 2026, do dia 25 de setembro, que encerrou as atividades de bets no país, seria levar os brasileiros para o mercado ilícito, que funciona sem a fiscalização de órgãos regulatórios ou recolhimento de tributos. 

A H2 Gambling Capital alerta ainda que, sob as novas condições, parte do dinheiro aplicado em bets deixará de circular no Brasil. No estudo, a consultoria projeta a migração dos apostadores para casas de apostas sediadas fora do país, junto a operadores não licenciados.

A empresa estima que de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões migrem para o exterior. O valor exato, segundo a consultoria, dependerá da eficácia do bloqueio a canais de pagamento para sites estrangeiros e do tempo que a proibição resistirá a contestações legais e políticas. 

Leia o infográfico sobre a migração de valores para o mercado ilegal

A regulamentação do mercado brasileiro estava em vigor desde janeiro de 2025. Ou seja, as normas funcionavam há pouco mais de 1 ano e meio, antes da determinação do fim das atividades das bets no país. Dentre as regras, estavam mecanismos de proteção aos apostadores contra os riscos do jogo em excesso. 

As plataformas regulares definiam limites de valor apostado e tempo transcorrido,  observando determinações da portaria nº 2.579 de 2025, da  SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), do Ministério da Fazenda. As bets legalizadas ainda contribuíram para o incremento da arrecadação. Os operadores de apostas on-line renderam R$ 11,12 bilhões aos cofres públicos de janeiro a setembro de 2026. 

As bets legalizadas ainda contribuíram para o incremento da arrecadação. Os operadores de apostas on-line renderam R$ 11,12 bilhões aos cofres públicos de janeiro a setembro de 2026….

Outro ponto da regulação era a destinação de um percentual da receita das bets ao financiamento de políticas públicas em áreas como educação, esportes, segurança e outras, por determinação da lei nº 14.790 de 2023. Em 2025, por exemplo, R$ 1,6 bilhão foi destinado ao esporte; 1,3 bilhão ao turismo; R$ 614 milhões à segurança pública;  R$ 459 milhões à educação e R$ 454 milhões à seguridade social, conforme dados do Ministério da Fazenda. 

RECUO DO MERCADO ILEGAL 

A regulamentação também contribuiu para dimensionar o mercado ilícito, o que permitiu adotar políticas de combate à ilegalidade. Com isso, as apostas ilegais começaram a recuar. 

Um levantamento da LCA Consultoria Econômica, com base em uma pesquisa do Instituto Locomotiva, mostrou que, em maio deste ano, de 38% a 44% do valor apostado no Brasil estava em plataformas não autorizadas. Em 2025, a estimativa era de 41% a 55%. 

Com o encerramento das atividades das apostas on-line regularizadas no Brasil, a demanda por sites ilegais tende a voltar a crescer, considerando o comportamento de parte dos usuários captado pelo levantamento.

De 2.291 apostadores ouvidos na pesquisa, 50% eram o que a consultoria classificou como elegível ao mercado ilegal. O termo é aplicável aos respondentes que apostaram em plataformas com ao menos 2 indícios de informalidade. As irregularidades em tais plataformas foram ausência de reconhecimento facial; domínio sem o final .bet.br e possibilidade de aposta com cartão de crédito ou criptoativos (vedados no mercado legal). 

A publicação deste conteúdo foi paga pela Associação pelo Livre Mercado. As informações e os dados divulgados são de total responsabilidade do autor.

Fonte: poder360.com.br/por Associação pelo Livre Mercado


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