Geração Z troca baladas noturnas por “wellness darties” com banheiras de gelo, treinos coletivos e mocktails
A cultura universitária norte-americana passa por uma transformação comportamental impulsionada pela Geração Z, que vem substituindo as tradicionais festas etílicas e madrugadas em repúblicas pelas chamadas wellness darties (festas diurnas de bem-estar). O formato mescla música eletrônica com DJs, circuitos funcionais ao ar livre, desafios de imersão em banheiras de gelo e cardápios focados em bebidas proteicas, adaptógenos e alimentos funcionais sem álcool.
O termo tem origem na contração de daytime party (darty), conceito já conhecido nos campi norte-americanos para celebrações diurnas, agora reconfigurado sob o prisma do fitness, da longevidade e da socialização sóbria.
Do barril de chope à banheira de gelo: o modelo Sweat&Soak
O movimento ganhou tração comercial com startups e agências voltadas a esse segmento. Um dos principais expoentes é a empresa norte-americana Sweat&Soak, criada em 2024 por Marty Mocs após a perda da mãe para o câncer de mama, fato que o motivou a promover eventos voltados à saúde preventiva:
- Atrações centrais: Séries de exercícios coletivos de alta intensidade, disputas de força/resistência e banheiras de gelo para crioterapia e recuperação muscular;
- Cardápio funcional: Substituição total de bebidas alcoólicas por shakes proteicos, bebidas isotônicas, mocktails e suplementos alimentares;
- Expansão universitária: O formato já foi adotado por diversas fraternidades e entidades estudantis nos Estados Unidos, desafiando a histórica cultura de excessos nas festas universitárias.
Choque geracional e polarização com os millennials
A ascensão do formato expôs um debate com os millennials (nascidos entre 1980 e meados dos anos 1990):
- Reação crítica: Perfis de gerações anteriores costumam rotular os encontros como “sem graça” ou associar a juventude atual à falta de espontaneidade festiva, exaltando a “era de ouro” das festas dos anos 2000;
- Posicionamento da Geração Z: Organizadores e participantes rebatem afirmando que a busca por bem-estar não elimina a diversão, apenas redireciona a experiência para a disposição física matinal e o cuidado com a saúde mental, evitando ressacas e desgastes físicos.
Entre o autocuidado genuíno e a hiperperformance digital
Especialistas em comportamento e cultura digital alertam para as nuances e contradições do movimento:
- Cultura da performance estética: Questiona-se até que ponto o formato reflete um hábito genuíno de saúde ou se atende à necessidade constante de gerar conteúdo altamente estético e instagramável para plataformas como TikTok e Instagram;
- Risco de radicalização e distorções: O apelo à “otimização corporal” guarda paralelos com tendências como o looksmaxxing — comunidades que começaram com dicas de autocuidado masculino e evoluíram, em determinados fóruns, para a propagação de transtornos alimentares, dismorfia corporal e práticas lesivas sob o pretexto de atingir a melhor versão física.
Metrópoles
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