13 de outubro de 2026
Economia

Bancos não veem condição para leilão do Desenrola 3.0 antes das eleições

Desenrola 3.0 prevê um leilão de dívidas com mais de 2 anos de atraso e negociação mais favorável com os devedores/Foto: Ricardo Stuckert/Presidência

O mercado financeiro não vê condições de antecipar o calendário do Desenrola 3.0, segundo apurou o Metrópoles. De acordo com interlocutores, as instituições financeiras ainda estão no começo do diálogo com o Ministério da Fazenda para definir quais serão os critérios das compras de carteiras de dívida.

Às vésperas do segundo turno das eleições, a ser decidido no dia 25 de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda a possibilidade de antecipar o cronograma da medida para antes do dia da votação.

A decisão, de acordo com fontes a par do assunto no setor financeiro, não seria viável, inclusive por que bancos não quererem se comprometer com o debate eleitoral.

De acordo com um interlocutor ouvido pelo Metrópoles, as instituições financeiras estão preocupadas com o discurso político que a medida poderia ter se fosse antecipada.

A antecipação de uma etapa do programa, no entanto, não significaria necessariamente que os consumidores poderiam renegociar as dívidas antes do segundo turno.

A operação depende da definição das regras para a seleção e a compra das carteiras de crédito, além das condições que serão oferecidas aos devedores. Esses pontos ainda estão em discussão entre o governo e as instituições financeiras.

Se o governo decidir que vai antecipar o Desenrola, fontes acreditam que será apenas uma fase prévia de cadastro das instituições financeiras, tendo em vista que ainda é necessário decidir qual o tamanho da dívida a ser comprada e quais critérios serão utilizados.

Febraban

No final de setembro, a própria Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou ter recebido de forma positiva o anúncio do Desenrola 3.0. Em nota, a entidade afirmou esperar que o programa ajude a reduzir o endividamento das famílias e contribua para melhorar o ambiente de crédito.

Isso, no entanto, não garante que o calendário possa ser acelerado, até por questões técnicas.

Cronograma previsto de implementação

  • Setembro de 2026: publicação da Medida Provisória;
  • Novembro de 2026: publicação do chamamento para entrega de propostas;
  • Dezembro de 2026: entrega de propostas pelos credores;
  • Janeiro de 2027: homologação das propostas selecionadas;
  • Fevereiro de 2027: assinatura de contratos.

Entenda o Desenrola 3.0

No final de setembro, o governo anunciou uma nova versão do Desenrola e o programa prevê a compra de até R$ 150 bilhões em dívidas de famílias brasileiras pela União.

A medida deve custar R$ 15 bilhões aos cofres públicos, considerando um desconto de 90% sobre o valor dos débitos adquiridos das instituições financeiras, ou seja, serão leiloadas dívidas de até R$ 150 bilhões.

A medida, segundo o governo, será voltada a dívidas de até R$ 10 mil de cartão de crédito, incluindo o rotativo e o parcelado, e de crédito pessoal sem consignação em folha. Os débitos deverão estar atrasados entre dois e quatro anos e meio.

De acordo com a Medida Provisória (MP) editada pelo governo, a União comprará as carteiras de crédito dos bancos com deságio e depois fará a reestruturação das dívida com objetivo de reduzir o comprometimento das famílias e conter o endividamento.

As operações deverão ser feitas pelo Tesouro Nacional ou por uma instituição financeira pública, como Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal.

Depois do leilão, o devedor poderá quitar a dívida à vista ou a prazo, com descontos que podem chegar a 90%, no entanto, em caso de parcelamento, haverá cobrança de juros. Os prazos e demais condições ainda precisam ser definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Fonte: metropoles.com/Gabriela Pereira


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