Prefeitura gastou R$ 400 mil para abastecer “sucatas” e com cartões de 13 aposentados
Frota de veículos da Sesau de Campo Grande (Foto: Divulgação)
Auditoria do Conselho Municipal de Saúde em contrato de R$ 21,8 milhões entre a prefeitura de Campo Grande e a S.H. Informática Ltda, apontou uma série de irregularidades como o uso de cartão de abastecimento de combustível por 13 servidores aposentados. E o mais grave, o gasto foi feito com veículos que já foram classificados como sucatas e que somaram R$ 400.809,30.
Importante destacar que o contrato da saúde foi firmado em julho de 2022 e o conselho encontrou várias irregularidade em apenas nove meses de análise, de outubro de 2025 e junho de 2026. Período em que a saúde municipal realizou 28.008 abastecimentos, de 775.986,52 litros de combustível e movimentou R$ 4,12 milhões.
A situação mais grave encontrada pelo conselho é a do registro de 2.438 operações de abastecimento de veículos, com cartões registrados em nome de 13 servidores que aparecem no sistema municipal como aposentados ou inativos. Ainda mais curioso é que entre os veículos abastecidos nesse período, constam cinco que constam como sucata de leilão no registro da frota.
A auditoria apontou que esses veículos sucatas receberam 365 abastecimentos no período analisado, que geraram 15.031,98 litros de combustível, o equivalente a R$ 87.153,37. Além disso, três ambulâncias cadastradas para Diesel S-10 passam a registrar gasolina a partir de 13/10/2025.
Em 101 dias, as três placas de ambulâncias aparecem em uma sequência de até dez minutos, e em 87 dessas sequências os três registros têm litros e valores idênticos. O cadastro não informa a data de retirada de circulação e o Conselho destaca que os dados não provam abastecimento de veículo particular nem transferência de tag.
Mas apontam irregularidades no controle da gestão Adriane Lopes (PP) em um contrato milionário pago com recurso público da saúde. Outros problemas encontrados são 796 ocorrências de mais de um abastecimento do mesmo veículo no mesmo dia, duas placas que aparecem nas transações, mas não no cadastro da frota, 95 veículos cadastrados que não registraram abastecimento durante os nove meses analisados.
“Os achados de maior relevância técnica — a inconsistência sistemática de hodômetro em 120 lançamentos e a divergência de numeração contratual na publicação oficial do Termo Aditivo — não configuram, com os elementos hoje disponíveis, prova de irregularidade, mas justificam plenamente a formulação de um novo ofício”, concluiu o Conselho Municipal de Saúde, que agora espera por novas respostas.
De olho na saúde
Nesta semana O Jacaré detalhou contratos da prefeitura com a empresa Qfrotas, para manutenção dos veículos municipais. A gestão Adriane Lopes firmou 24 contratos com a QFrotas Sistemas em 2022, para manutenção de veículos, o que significa que todas as secretarias e agências municipais tem contrato ativo com a empresa, que somam R$ 48,5 milhões. Considerando um carro popular de R$ 80 mil, a prefeitura conseguiria comprar 606 veículos zero quilômetro.
Para se ter ideia da dimensão, os 24 contratos somavam R$ 10.653.476,18 quando celebrados, mas atualmente chegam a R$ 48.509.432,61, graças a R$ 37.855.956,43 em aditivos. Ou seja, a empresa tem sido muito beneficiada pelos aditivos, que representam cerca de 3,55 vezes o valor originalmente contratado.
Além disso, auditoria do SUS mostrou que a manutenção de uma única ambulância do Samu, somou R$ 589.389,28 em 2 anos e 5 meses. Este montante é 264% superior ao valor de mercado de uma ambulância nova à época da aquisição.
Enquanto o dinheiro jorra por meio de diversas irregularidades, pacientes sofrem com a falta de medicamentos nos postos de saúde, inclusive o dipirona, o mais simples e barato. Também faltam materiais para exames, vagas em hospitais, exames com especialistas e cirurgias eletivas. Há casos em que pacientes aguardam por cirurgia há mais de uma década na Capital.
Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres