‘Sou empresário e defendo o fim da escala 6×1’: Dono da Multilaser, empresa com 5 mil funcionários, diz que trabalhador merece 2 dias de folga na era da IA
Alexandre Ostrowiecki defende dois dias de descanso por semana e relaciona a mudança ao avanço da inteligência artificialFoto: Reprodução/ND Mais
Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho da Multilaser, defende o fim da escala 6×1 e diz que custo da mudança vale pela qualidade de vida
O presidente do conselho da Multilaser, defende o fim da escala 6×1 e dois dias de descanso por semana. A empresa tem cerca de 5 mil funcionários.
Para ele, é inaceitável continuar com a jornada atual na era da IA. Alexandre diz que a mudança terá um custo, mas não prevê demissões em massa, nem um grande aumento de preços.
O empresário diz que a economia já se adaptou a outras reduções de jornada em outros momentos da história. Para ele, o custo dessa mudança é menor que o ganho na qualidade de vida do trabalhador.
Ostrowiecki também critica o chamado “custo Brasil”, a burocracia, os impostos sobre o consumo e os juros elevados. “Quem se preocupa com a competitividade do país deveria começar cortando os privilégios do Estado, não o descanso do trabalhador”, afirma.
Críticas ao gasto público e escala 6×1
Há cerca de 15 anos, Alexandre ajudou a fundar o Ranking dos Políticos, site de orientação que reúne perfis de congressistas. Apesar da preocupação com as contas públicas, ele afirma que fala apenas por si.
O dono da Multilaser afirma que o fim da escala 6×1 teria custo, mas não prevê demissões em massaFoto: Multilaser/Reprodução/ND Mais
Para 2027, espera que o próximo governo enfrente o crescimento automático dos gastos públicos. Defende reforma administrativa, desvinculação de despesas e revisão de privilégios, incluindo supersalários e penduricalhos.
Casas Bahia e consumidor
A Multilaser está entre os maiores fornecedores das Casas Bahia, que pediu recuperação judicial no mês passado. Ostrowiecki diz que o impacto é moderado: R$ 31 milhões provisionados, pouco mais de 2% da carteira de recebíveis, conforme fato relevante. A empresa usa seguro de crédito na maior parte das vendas.
Ele afirma que o consumidor está “no limite”. Segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio), 82% das famílias têm dívidas a vencer. A Serasa registrou quase 84 milhões de pessoas negativadas em agosto, recorde da série histórica.
A Multilaser responde com disciplina de crédito, seguro nas vendas, controle de recebíveis, diversificação dos canais e produtos mais acessíveis. Para Ostrowiecki, porém, “não existe engenharia comercial que compense juro de agiota por muito tempo”.
Com cerca de 5 mil funcionários, a Multilaser está no centro da declaração de seu presidente do conselhoFoto: Multilaser/Reprodução/ND Mais
Crítica à “taxa das blusinhas”
O empresário também critica a lei que eliminou o imposto de importação para remessas de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas” e sancionada por Luiz Inácio
Ele cita o exemplo de uma peça de roupa: uma fábrica no Ceará paga cerca de 30% do preço em impostos federais, enquanto uma fábrica de Shenzhen, na China, pode vender diretamente ao Brasil sem esse imposto federal. Ele ainda compara juros industriais de cerca de 15% no Brasil com cerca de 3% na China.
A própria lei determina que o governo avalie os efeitos sobre emprego, indústria e arrecadação a cada seis meses. A Multilaser, que tem fábrica em Manaus, defende uma redução geral dos impostos sobre o consumo.
Fonte: ndmais.com.br