Zettel diz que Vorcaro guardou R$ 20 bilhões no exterior
O advogado Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, afirmou em gravações que o ex-banqueiro mantinha R$ 20 bilhões no exterior durante a crise do Banco Master. A declaração aparece em conversas de WhatsApp obtidas pela revista Piauí e divulgadas nesta quarta-feira (30).
“Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar. Porque se pegar, é preso de novo”, disse Zettel em uma conversa com uma mulher identificada pela reportagem pelo nome fictício de Marina.
A cifra, porém, consta como relato feito por Zettel e não como valor oficialmente confirmado pelas autoridades. Segundo a reportagem, até então haviam sido localizados cerca de R$ 2 bilhões em imóveis e outros bens vinculados a Vorcaro, destinados ao ressarcimento de credores do Master.
As gravações também mostram que Zettel teria adotado medidas próprias para proteger recursos diante do risco de intervenção no banco. Em outubro de 2025, ele contou que viajou ao exterior e escondeu dinheiro depois de receber a informação de que o Banco Central havia dado prazo para Vorcaro apresentar uma solução para a instituição.
“Eu fui lá, escondi um dinheiro, porque se der tudo errado e der uma merda danada e tudo meu for bloqueado, eu tenho que ter um dinheiro pra poder continuar vivendo e mantendo as coisas”, afirmou.
Poucas semanas depois, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Na véspera, Vorcaro havia sido preso pela Polícia Federal enquanto tentava embarcar para Dubai, no Aeroporto de Guarulhos.
Operador do grupo
As conversas obtidas pela piauí descrevem Zettel como responsável por executar uma série de tarefas financeiras e administrativas para Vorcaro. Segundo a reportagem, ele recebia cobranças, solicitava recursos ao ex-banqueiro e operacionalizava pagamentos autorizados pelo cunhado.
As mensagens também mencionam repasses para advogados, auxiliares e outros personagens que aparecem nas investigações sobre o Banco Master. Entre eles está o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em pagamentos relacionados ao filme Dark Horse, segundo a publicação.
Zettel também aparece ligado a empresas e fundos que entraram no radar das investigações. De acordo com a reportagem, ele era proprietário do fundo Leal, que controlava o Arleen, utilizado em uma operação envolvendo participação no resort Tayayá.
O operador também teria sido responsável por pagamentos destinados a Luiz Philippi Mourão, conhecido como Sicário, apontado pelos investigadores como integrante de um núcleo voltado à obtenção de informações, monitoramento, coação e intimidação.
Apesar da atuação financeira, Zettel afirmou posteriormente que pretendia se desvincular dos negócios de Vorcaro. Em uma das conversas, disse: “Eu tenho que trabalhar para me descolar dele de qualquer jeito”.
Relação com Vorcaro
As gravações mostram uma relação marcada por dependência profissional e conflitos entre os dois. Nas conversas com Marina, Zettel criticava decisões do cunhado e dizia que Vorcaro “esticava demais a corda” ao conduzir os negócios.
Ao mesmo tempo, mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram Zettel buscando autorização de Vorcaro para pagamentos e outras decisões financeiras.
Após a primeira prisão do ex-banqueiro, Zettel também relatou que contas haviam sido bloqueadas e que Vorcaro enfrentava dificuldades para acessar recursos e pagar advogados.
Foi nesse contexto que mencionou os R$ 20 bilhões supostamente mantidos no exterior.
Moraes
As gravações também trazem declarações de Zettel sobre a relação entre Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em uma conversa, o operador afirmou: “O Xandão é melhor amigo do Daniel. Tô contando com ele. Melhor amigo, faz jantar junto, sai junto”. A fala representa a descrição feita por Zettel sobre a relação entre os dois e não comprova, por si só, qualquer atuação do ministro em favor de Vorcaro.
A conversa ocorreu em setembro de 2025, quando Zettel acompanhava a situação do Master e aguardava uma decisão do Banco Central sobre a tentativa de venda da instituição ao BRB. A operação acabou rejeitada.
Investigação
Vorcaro e Zettel foram presos novamente em março de 2026 e permanecem detidos. As investigações da Polícia Federal apuram suspeitas relacionadas à atuação do grupo ligado ao Banco Master, incluindo movimentações financeiras e estruturas utilizadas para ocultação patrimonial.
Fonte: claudiodantas.com.br/Por Redação