6 de setembro de 2026
Política

Lula articula saída para crise no STF temendo impactos eleitorais em sua campanha de reeleição

O recente pronunciamento e as movimentações de bastidor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acerca do desgaste institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) foram motivados pelo temor de contaminação direta em sua campanha à reeleição. A coordenação eleitoral do petista identificou riscos na associação de sua imagem à do ministro Alexandre de Moraes e contratou pesquisas qualitativas para mapear o humor do eleitorado diante dos atritos na Corte.

Em conversas reservadas com magistrados, Lula chegou a pedir argumentos técnicos e políticos para respaldar uma defesa pública do tribunal. Em resposta, ouviu alertas para calibrar o tom das declarações: o governo depende do STF institucionalmente — inclusive para eventuais recursos contra medidas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) —, ao mesmo tempo em que a Corte possui autonomia histórica para gerir suas crises internas sem a necessidade de tutela partidária.

Articulação com Fachin e proposta de cisão do caso Banco Master

Em reunião nesta sexta-feira (4) com o presidente do STF, Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, avançou a proposta de uma solução regimental para arrefecer os ânimos: fazer com que Fachin avoque o trecho das investigações do caso Banco Master que cita Alexandre de Moraes, retirando essa vertente específica da relatoria de André Mendonça.

A medida é bem recebida por auxiliares do próprio Mendonça e vista internamente como uma saída para estancar o confronto direto entre os dois ministros:

  • Conflito aberto: Mendonça retirou o sigilo de relatórios da Polícia Federal que registram mensagens de Vorcaro com Moraes — incluindo consultas sobre viagens ao exterior antes da prisão preventiva. Em reação, Moraes pediu a abertura de apuração formal contra Mendonça por suposto abuso de autoridade, improbidade e quebra de imparcialidade.
  • Terceira troca de relatoria: O processo pertencia inicialmente ao ministro Dias Toffoli, que deixou a função após a divulgação de repasses financeiros ligados a Vorcaro, sendo sucedido por Mendonça.
  • Distribuição legal: Ministros do Supremo ponderam que a avocação não permite a escolha arbitrária de um novo juiz; a parte desmembrada terá de passar por sorteio eletrônico regimental.

Solução protege Mendonça após reunião privada

O fatiamento do inquérito também é avaliado nos corredores do STF como um meio de evitar o afastamento total de André Mendonça. A permanência do magistrado na relatoria foi colocada em xeque após revelações de que ele se reuniu a portas fechadas com Daniel Vorcaro na sede de seu instituto privado em São Paulo, fora da agenda oficial, para discutir precatórios sob julgamento no Supremo.

Após a divulgação do encontro pela imprensa, Mendonça retirou sua participação societária na referida instituição, mas a conduta segue sob questionamento de setores do Ministério Público e de magistrados da própria Corte.

Com informações do Metrópoles (coluna Igor Gadelha).

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