Produtora de Dark Horse atribui denúncias a ex-marido e ex-fornecedor
Karina Ferreira da Gama dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro • Reprodução/Redes sociais
Em boletins de ocorrência, Karina Ferreira da Gama relata acusações, ameaças e supostas tentativas de extorsão envolvendo antigos parceiros
A produtora Karina Ferreira da Gama, dona da GP Up Entertainment, responsável pela produção do filme Dark Horse, tem negado publicamente qualquer irregularidade com o filme e atribuído, nos bastidores, as denúncias contra ela a problemas com o ex-marido e um ex-fornecedor.
Ela deixou essa percepção, inclusive, registrada à polícia.
Em um boletim de ocorrência registrado no dia 21 de maio deste ano na 78ª Delegacia de Polícia Civil de São Paulo, nos Jardins, zona nobre da capital paulista, Karina acusou o ex-marido de calúnia e difamação, além de ameaça, violência doméstica e violência psicológica contra a mulher.
“Comparece nesta unidade a vítima supraqualificada, noticiando que, após separação conjugal, seu ex-marido passou a adotar condutas reiteradas de calúnia e difamação, imputando-lhe falsamente a prática de crimes, inclusive perante terceiros de seu meio profissional, com prejuízo à sua reputação. Informa, ainda, que passou a sofrer ameaças e chantagens, com exigências financeiras para que não fossem divulgadas informações em seu desfavor, as quais efetivamente vieram a público”, diz o documento.
Segundo o boletim de ocorrência, Karina “relata também que foi alvo de ofensas verbais de cunho misógino e desqualificador, caracterizando, em tese, violência psicológica, com abalo emocional significativo. Acrescenta que terceira pessoa ligada ao autor também passou a difamá-la, reforçando as acusações falsas”.
Duas semanas depois, no dia 6 de junho, ela voltou à mesma delegacia para acusar o ex-marido de violação de sigilo informático.
“Informa que, desde o dia 6 de maio, passou a constatar acessos indevidos ao e-mail corporativo de sua empresa, os quais atribui ao investigado, que teria utilizado tal acesso para obter informações internas e posteriormente divulgá-las na mídia e perante terceiros, com prejuízo à sua imagem, honra e reputação profissional”, diz o boletim de ocorrência também obtido pela CNN.
Na sequência, afirma que, ao perceber a situação, providenciou a alteração da senha do e-mail, mas notou que as tentativas de acesso continuavam.
“Contudo, mesmo após a mudança, o investigado teria persistido nas tentativas de acesso à conta, inclusive acionando mecanismos de recuperação de senha, o que gerou novas notificações e demonstraria a continuidade da tentativa de ingresso indevido no ambiente digital da empresa”, diz o registro.
De acordo com o documento, Karina alega “que o investigado também teria tentado emitir nota fiscal vinculada à empresa, sem autorização, fato que reforça a suspeita de utilização indevida de dados e sistemas corporativos, bem como a intenção de causar embaraços à atividade empresarial da vítima”.
No dia 11 de junho, ela conseguiu obter da Justiça paulista medidas protetivas contra o ex-marido.
A CNN procurou o ex-marido de Karina, mas ele disse que, por orientação de seus advogados, não se manifestaria.
Fontes ligadas a ambos dizem que o rompimento ocorreu após as eleições municipais de São Paulo, quando Karina decidiu apoiar a reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o ex-marido optou por apoiar Pablo Marçal (PRTB).
Ex-fornecedor
Além do ex-marido, a produtora também suspeita que um ex-fornecedor da produtora tenha feito denúncias contra ela. Em um dos documentos obtidos pela CNN, ela menciona que ele tentou extorqui-la em troca de não fazer as acusações.
O fornecedor atuou com Karina no contrato que a ONG dela, chamada Instituto Conhecer Brasil, celebrou com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de cinco mil pontos de internet pela capital paulista, em especial na periferia da cidade.
À polícia, Karina descreveu que, no curso da execução contratual, teriam ocorrido reiterados descumprimentos, inconsistências técnicas e administrativas, apresentação de relatórios incompatíveis com a realidade da execução, bem como resistência ao atendimento das solicitações de regularização formuladas pelo Instituto.
“Segundo a representante legal, em data aproximada de 26 de setembro de 2025, teria ocorrido interrupção massiva de aproximadamente 800 links de internet, afetando comunidades atendidas pelo programa público, com prejuízo à continuidade do serviço e à população beneficiária.”
No documento da polícia consta que “a empresa investigada teria adotado condutas destinadas a deslocar a responsabilidade pelos fatos, inclusive mediante ajuizamento de ação de produção antecipada de provas, supostamente com a finalidade de conferir aparência de legitimidade à versão apresentada e influenciar a formação do contexto probatório”.
O relato dela aponta ainda que o antigo fornecedor fez “exigências financeiras no montante aproximado de R$ 2.500.000,00, pressões indiretas, ameaça de exposição midiática, divulgação de informações internas e outros elementos documentais que, segundo sua narrativa, indicariam atuação dolosa e premeditada”.
A CNN procurou o fornecedor e aguarda um contato.
Fonte: cnnbrasil.com.br/Blog Caio Junqueira