MPMS deflagra Operação Máquinas de Areia contra esquema milionário em Três Lagoas
Investigação aponta fraudes em contratos de locação de maquinários e obras de infraestrutura que ultrapassam R$ 100 milhões; operação é desdobramento da Cascalhos de Areia.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou a Operação Máquinas de Areia, desmantelando um esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Três Lagoas. A ação, conduzida por equipes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), mira uma organização criminosa integrada por empresários e servidores públicos.
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão nas cidades de Três Lagoas, Campo Grande, Terenos e Castilho (SP). Segundo o MPMS, o grupo atuava para fraudar a execução de contratos de locação e fornecimento de veículos, equipamentos pesados e maquinários, além de obras de infraestrutura para revestimento primário no município. Levantam-se suspeitas de que os contratos e aditivos somem mais de R$ 100 milhões entre 2018 e 2026.
Em nota, o órgão ministerial destacou o impacto do esquema nos cofres públicos:
“As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, prejuízo efetivo à população.”
Conexão com a Operação Cascalhos de Areia
A nova fase das investigações possui ligação direta com os desdobramentos da Operação Cascalhos de Areia, realizada em meados de 2023. O empreiteiro Edcarlos Jesus Silva é apontado novamente como o principal articulador do esquema. Investigadores suspeitam que ele atue como “laranja” do empresário André Luiz dos Santos, conhecido como “Patrola”.
Edcarlos possui ligação direta com pelo menos três empresas:
- Engenex Construções e Serviços Ltda.
- JR Comércio e Serviços Ltda.
- MS Brasil Comércio e Serviços Eireli
Todas as três companhias foram fundadas no mesmo período, entre julho e setembro de 2011. Pesquisas no Portal da Transparência de Três Lagoas apontam que o trio de empresas soma R$ 149,3 milhões em contratos e aditivos com o município de 2018 a 2026, concentrados na locação de veículos e maquinários pesados e no revestimento primário.
Estrutura e alcance do grupo
O histórico das empresas revela uma rede articulada de nomes repetidos em investigações passadas. A Engenex foi originalmente fundada por Mahmoud Abdoul Rahim e Mamed Dib Rahim — ambos investigados na Operação Cascalhos de Areia —, mas repassada em maio de 2021 para Edcarlos (com 90% da sociedade) e Paulo Henrique Silva Maciel (com 10%). Já a JR Comércio e Serviços, controlada de fato por Edcarlos, figura oficialmente em nome de seu sogro, Adir Paulino Fernandes, que também respondeu na operação anterior.
O modelo de atuação já havia sido testado em larga escala na Capital. Nos últimos oito anos, as mesmas três empresas faturaram R$ 475,3 milhões em contratos (encerrados e ativos) com a Prefeitura de Campo Grande — valor mais de três vezes superior ao montante movimentado em Três Lagoas. Atualmente, apenas a MS Brasil mantém acordos vigentes com a administração municipal de Campo Grande.
Com informações de Correio do Estado.