Aprovados na PCMS devem enfrentar 6 meses de espera por nomeação após governador adiar convocação para 2027; Comissão organiza mobilizações

Alunos que pediram exoneração e deixaram seus estados questionam insegurança jurídica; Governo alega restrições orçamentárias, enquanto Sinpol-MS aponta déficit crítico nas delegacias

Os 447 novos policiais civis (330 investigadores e 117 escrivães) que concluíram o Curso de Formação Policial na Academia de Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (Acadepol) no dia 12 de junho de 2026 terão de enfrentar um longo período de espera até a entrada em exercício. Em reunião realizada na última quarta-feira (15 de julho), o governador Eduardo Riedel confirmou que a previsão do Governo do Estado é realizar as nomeações apenas entre janeiro e fevereiro de 2027. Diante da promessa não cumprida de chamamento imediato e a demora deve durar mais de seis meses, a comissão de aprovados e o Sinpol-MS deram início a uma série de mobilizações para pressionar o Executivo.

Em reunião com os representantes dos policiais civis e aprovados do concurso, o governador alegou restrições orçamentárias e impedimentos da legislação eleitoral relativos à criação de gastos ao fim do mandato.

No entanto, a justificativa e o prazo estendido causaram indignação entre os aprovados, que destacam que o concurso foi homologado dentro das regras legais e com base no trâmite do concurso, teria orçamento previdenciário e operacional reservado. Além disso, a segurança pública figura entre os serviços essenciais autorizados pela legislação a ter provimento de cargos a qualquer tempo.

Protesto na Alems e ações da comissão

Sem alternativas e impedidos de exercer as funções para as quais se qualificaram, os aprovados decidiram buscar a sensibilidade do Poder Legislativo e à opinião pública. Os futuros policiais organizaram uma campanha de doação de sangue no último sábado, reunindo também representantes do concurso do sistema socioeducativo, que enfrentam situação semelhante.

Mobilização dos aprovados da PCMS e do Sistema Socioeducativo, que enfrentam situação semelhante (Foto: Divulgação)

A próxima ação articulada pela categoria ocorrerá na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), no dia 4 de agosto, conforme explica Carlos Pracz, presidente da Comissão de Aprovados no Geral do Concurso da PCMS.

“O mais próximo agora é a manifestação na Assembleia Legislativa, dia 4 de agosto, onde queremos levar as faixas de forma pacífica para ganharmos visibilidade para a nossa causa. O governador deu prazo, deu algumas justificativas sobre questão orçamentária…. Depois nós vimos que se ele quiser ele pode nomear, porque o concurso teve início antes do prazo, a questão principal é vontade dele mesmo”, afirmou Carlos Pracz.

Carlos revelou ainda que, além de adiar a nomeação, o Governo sinalizou que não nomeará todos os formados de imediato: “Ele falou também que vai nomear só 400 dos que formaram. Sendo que formaram 447, ele disse que não vai nomear todos por enquanto, somente os 400, os outros não têm previsão. Então estamos organizando ações e pedindo para que os deputados e o governador tenham sensibilidade para nomear o mais rápido possível todo esse pessoal”.

Dramatismo social e prejuízo ao atendimento público

Muitos deixaram seus estados, desfizeram contratos de aluguel e pediram exoneração de cargos públicos anteriores para se dedicarem integralmente à Acadepol. Danyelle Bezerra, representante da comissão de escrivãs, relata que o prazo forçou diversos aprovados a deixarem o Estado por falta de recursos:

“Ninguém reagiu bem, porque realmente todo mundo estava na esperança. Ninguém estava acreditando que seria tão longe. A partir dessa informação, muita gente acabou retornando às suas cidades, reafirmando inclusive a impossibilidade, talvez, de retornar, porque é muito tempo esperando, não é coisa de um mês, dois meses, são praticamente seis meses esperando esse impacto na vida de muita gente”, explicou Danyelle.

A aluna Juliana Magalhães de Freitas reforça a frustração da categoria ao detalhar os sacrifícios feitos para ingressar na corporação. “Eu sou do interior de SP e estava no RJ morando e atuando no Ministério Público do RJ. Desmontei casa e pedi exoneração do cargo que exercia para vir para o curso de formação. O sentimento é de profunda frustração e insegurança jurídica. A conclusão do curso gerou em todos nós uma legítima expectativa de nomeação rápida, ainda mais sabendo da clara falta de efetivo nas delegacias do Mato Grosso do Sul. Nós, 447 formados, fizemos sacrifícios enormes — deixamos empregos, estabilidade financeira e ficamos longe da família para realizar esse sonho”, desabafou Juliana.

Sinpol-MS aponta deficit e cobra celeridade

A diretoria do Sinpol-MS reiterou por meio do site oficial que a nomeação dos candidatos atende a um pedido urgente de socorro das próprias delegacias do estado, que operam com defasagem severa de servidores. O sindicato pontuou que manter aprovados qualificados no aguardo enquanto policiais civis em atividade enfrentam sobrecarga compromete a qualidade do atendimento prestado à população sul-mato-grossense.

A entidade garantiu que manterá o diálogo com o Governo do Estado e com os deputados estaduais para buscar a antecipação do cronograma oficial e garantir que a totalidade dos 447 policiais formados seja integrada ao quadro funcional o quanto antes.

Fonte: Roberta Cáceres / Jornal Servidor Público MS | Fotos: Divulgação

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