Adriane Lopes pagou R$ 3,2 milhões em livros de editora investigada na Operação Gutenberg

Em maio de 2024, prefeitura fez um evento para divulgar projeto (foto: Arquivo)

Em dezembro de 2023, a prefeita Adriane Lopes (PP) pagou R$ 3,2 milhões na compra de kits paradidáticos da editora Avante Comércio de Livros e Serviços. A empresa é alvo da Operação Gutenberg, que investiga esquemas de corrupção e desvios milionários na educação em Mato Grosso do Sul.

O contrato da Prefeitura de Campo Grande com a Souza e Fanaia Comércio de Livros e Serviços editoriais, vigorou entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024. Foram comprados 29.742 kits escolares, que custaram R$ 110 cada, somando R$ 3,2 milhões.

Na época, a gestão Adriane Lopes realizou um evento para divulgar a parceria com a editora Avante, por meio do projeto Craque na Vida. A ação atingiu 29 mil alunos da rede municipal do 6° ao 9° ano e os professores receberam uma formação on-line sobre os conteúdos.

Contrato da prefeitura com investigada (Reprodução)

Em seu Instagram, com apenas 102 seguidores, a Editora Avante se orgulha de ter muitos clientes em Mato Grosso do Sul e que não se restringem a Campo Grande. Juti, Caarapó, Aparecida do Taboado e Douradina, são as prefeituras que implementaram os livros da editora investigada na educação.

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a organização criminosa cooptava servidores públicos para fraudar e direcionar compras de livros didáticos, muitas vezes sem licitação. Os valores fraudados somam R$ 27 milhões.

O empresário Joatan Gomes Peixoto, dono da Editora Avante, e o filho, Matheus Oliveira Peixoto, estão entre os presos da Operação. Outra gráfica, a Alvorada também é alvo e a empresária Rossana Paroschi Jafar também foi presa. Ela e o marido, Micher Jafar Júnior, foram alvos da Operação Lama Asfáltica, deflagrada pela Polícia Federal entre 2015 e 2017.

Aliás, a viúva de Micherd Jafar Júnior foi presa junto com dois filhos, o engenheiro Felipe Paroschi Jafar, 34, que era assessor II com salário de R$ 11,2 mil na Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), e a estudante Olívia Paroschi Jafar. O 3º filho, Giovani Paroschi Jafar, segundo o Campo Grande News e o Midiamax, também com mandado de prisão em aberto e é considerado foragido.

A viúva se enroscou em posse ilegal de munições. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, o Gaeco encontrou cinco munições na gaveta do armário do banheiro do quarto de hóspede. Rossana foi atuada e afirmou que não sabia de quem eram as munições.

O assessor do deputado estadual Jamilson Lopes Name (PP) e ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos, o Júnior Vasconcelos, também foi preso e afastado do cargo de escrivão da Polícia Civil. A organização criminosa teria desviado R$ 27 milhões.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres

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