MS de luto: Morte de policial militar em Corumbá escancara omissão federal e avanço de fuzis do narcotráfico no Estado

A trágica morte do soldado Marcelo Pimenta da Silva, na noite desta terça-feira (30), no município de Corumbá, trouxe novamente à tona o cenário de vulnerabilidade e abandono que assola a fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia. O episódio violento, que culminou no assassinato de um policial militar em pleno exercício de sua função, escancara o avanço desenfreado do narcotráfico e, acima de tudo, a profunda omissão e falta de apoio e investimentos do governo federal no policiamento de nossas fronteiras internacionais.

A ocorrência teve início por volta das 19h40, na última terça-feira (30), quando criminosos fortemente armados abriram fogo contra uma residência no bairro Almirante Tamandaré, em Ladário. Após o atentado, equipes do Grupamento Especializado Tático em Apoio Motociclístico (Getam) da Polícia Militar iniciaram um acompanhamento tático ao veículo dos suspeitos, um Fiat Argo, que fugia em direção a Corumbá.

Utilizando armamentos pesados de altíssimo poder de fogo, os traficantes passaram a disparar contra as guarnições. Na Rua Totico de Medeiros, no bairro Centro América, o soldado Marcelo Pimenta, que pilotava uma das motocicletas da corporação, foi atingido de forma brutal na cabeça, no tórax e no braço por disparos — com indícios contundentes de terem partido de fuzis calibre 5.56. Pimenta foi socorrido pelos colegas, passou por cirurgia de emergência na Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos provocados pelo poder destrutivo do armamento militar utilizado pelos bandidos.

Foram recolhidos dois fuzis, duas pistolas, um revólver e grande quantidade de munições. (PMMS)

Nas buscas subsequentes, que uniram diversas forças de segurança pública do Estado em uma operação integrada, foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas, um revólver e vasta quantidade de munições, além da localização de suspeitos envolvidos (um deles morto em confronto posterior e outro preso). Vídeos que circulam nas redes sociais, atribuídos a criminosos da região, mostram ostentação de fuzis e ameaças abertas na fronteira, confirmando que as facções operam com artilharia pesada de guerra.

Omissão Federal

O assassinato do soldado Pimenta — que havia realizado o sonho de infância de entrar para a PM em 2025 e antes trabalhava como cinegrafista — não é um fato isolado, mas o reflexo direto da ausência de uma política pública nacional e robusta de segurança fronteiriça.

Soldado Pimenta (Foto: Reprodução redes sociais)

Embora o combate ao tráfico internacional de drogas e de armas e a vigilância das fronteiras do país sejam competências constitucionais e diretas do governo federal, o que se observa na prática é um vácuo de investimentos e de efetivo. Sem o devido aporte da União em tecnologias de monitoramento, barreiras físicas e ampliação de delegacias especializadas na faixa de fronteira, o governo federal transfere, por omissão, o pesado fardo do combate às facções internacionais para as polícias estaduais.

Fronteira do Brasil com a Bolívia

Mesmo diante dos esforços e da bravura de corporações locais, como o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e o Getam, as forças estaduais de Mato Grosso do Sul acabam atuando como um “escudo solitário”. Enquanto o governo federal falha em estrangular as rotas de entrada de armas de grosso calibre, os policiais militares na ponta da linha pagam o preço mais alto.

NOTA: A redação do Jornal do Servidor Público de MS se solidariza e manifesta os mais sinceros sentimentos aos familiares, amigos e companheiros de farda do soldado Pimenta.

Fonte: Roberta Cáceres / Jornal Servidor Público MS

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