“Caras-de-pau”: vereadores rejeitam CPI da Saúde e ainda são candidatos a deputado

Dos 29 vereadores da Capital, 20 não assinaram a CPI para investigar a saúde em Campo Grande

Além de integrar a pior legislatura da história da Câmara Municipal de Campo Grande, um grupo de vereadores rejeita assinar a CPI da Saúde e ainda vão disputar as eleições deste ano como candidatos a deputado estadual e federal. E alguns, como atestado de que a classe política é reflexo do eleitorado, até lideram pesquisa e vão para as urnas com chance de chegar à Assembleia Legislativa ou Câmara dos Deputados. 

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Os parlamentares ignoram as denúncias na saúde, desde a falta de remédios, de materiais para exames e de médicos especialistas nas unidades de saúde, falta de vagas em hospitais, desvio de R$ 156,8 milhões, morte de crianças nas UPAs e até aluguel de ambulância com veículos novos encostados.

A “cara-de-pau” é tanta, que além de não assinar para proteger a gestão de Adriane Lopes (PP), os vereadores estão dispostos a bater na porta do eleitor para pedir votos. Os bolsonaristas Ana Portela e Rafael Tavares, do PL, vão tentar uma vaga na Assembleia Legislativa.

Os vereadores Professor Juari, Silvio Pitu e Dr. Victor Rocha, do PSDB, sonham em upgrade na carreira. Alias, o primeiro, Juari, de acordo com o Instituto Ranking Brasil, lidera a pesquisa entre os tucanos e tem chance de ser eleito deputado federal.

Os pastores Neto Santos e Herculano Borges, do Republicanos, também pontuam bem na disputa de uma vaga de deputado federal e estadual, respectivamente. Junior Coringa e Dr. Jamal Salem, do MDB, apostam na memória curta do eleitor, de que vão dar as costas para os problemas da cidade hoje e terão chance de ganhar o voto em outubro.

No grupo do partido de Adriane Lopes estão os vereadores Professor Riverton (PP) e Veterinário Francisco (União Brasil), que fazem parte da Federação União Progressista. Leinha e Wilson Lands, do Avante, apostam que o seu eleitorado não sofre com os problemas da saúde nem se escandaliza com as suspeitas de desvios na saúde.

E ainda vão ajudar o deputado estadual Lídio Lopes (Avante), marido de Adriane, a pior prefeita do Brasil, ser contemplado com um novo mandato na Assembleia Legislativa.

O escracho dos vereadores aliados de Adriane com o eleitor é tanto que alguns até participaram de um polêmico churrasco na mansão da prefeita junto com o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela. A festança causou polêmica nas redes sociais.

Qual seria o motivo da festança em plena crise, enquanto o povo sofre, as denúncias de má gestão e desvios na saúde se multiplicam e até crianças estão morrendo após peregrinarem em busca de atendimento nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento)?

No total, 20 dos 29 vereadores não assinaram a CPI da Saúde. Para a investigação ser feita é preciso o apoio de 10 vereadores, mas apenas oito assinaram o requerimento.

Confira quem não assinou:

  • Ana Portela (PL)
  • Rafael Tavares (PL)
  • Neto Santos (Republicanos)
  • Herculano Borges (Republicanos)
  • Dr. Jama Salem (MDB)
  • Dr. Victor Rocha (PSDB)
  • Professor Juari (PSDB)
  • Professor Riverton (PP)
  • Júnior Coringa (MDB)
  • Silvio Pitu (PSDB)
  • Veterinário Francisco (União Brasil)
  • Leinha (Avante)
  • Wilson Lands (Avante)
  • Clodoilson Pires (Podemos)
  • Ronilço Guerreiro (Podemos)
  • Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB)
  • Delei Pinheiro (PP)
  • Dr. Lívio Leite (União Brasil)
  • Otávio Trad (PSD)
  • Beto Avelar (PP)

Nos bastidores, conforme o vereador Jean Ferreira (PT), a prefeita e a senadora Tereza Cristina (PP), pressionam os parlamentares para evitar a instalação da CPI. A ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro (PL) afirma nas redes sociais que defende toda investigação contra a corrupção, mas se faz de surda para o drama dos moradores de Campo Grande que sofrem com os problemas da saúde. 

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Adriane tem reunido os vereadores até em churrasco: e o povo? (Foto: Arquivo)

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

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