Dark Horse: Dino e Mendonça autorizam apurações que podem se colidir no STF

Os ministros André Mendonça e Flávio Dino durante sessão no STF nesta quarta-feira (21) • 21/08/2024 – Fellipe Sampaio/STF

Ministros deram aval à Polícia Federal, em momentos diferentes, para apurar o repasse de recursos ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro; defesa de Flávio quer que relator do Master concentre processos

Duas investigações da Polícia Federal sobre o financiamento do filme Dark Horse, autorizadas separadamente pelos ministros Flávio Dino e André Mendonça, têm potencial de colidir e gerar incômodo interno no STF (Supremo Tribunal Federal).

Dino concentra a relatoria de uma série de processos que investigam suspeitas em repasses de emendas parlamentares a empresas, entidades e ONGs. Mendonça é responsável por conduzir as investigações sobre as fraudes do Banco Master e de Daniel Vorcaro no tribunal.

PF foi autorizada por Dino a investigar o repasse de emendas parlamentares a empresas vinculadas à produtora do filme sobre Jair Bolsonaro (PL) e largou na frente de André Mendonça nas apurações sobre a produção no tribunal.

A investigação teve início antes de as suspeitas sobre a produção surgirem e mira repasses de emendas parlamentares feitos por cinco deputados federais a empresas e ONGs. Uma das empresas pertence à mesma dona da produtora de Dark Horse.

Já nesta quinta-feira (23), após parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República)Mendonça autorizou a PF a investigar a suspeita de repasse de milhões de reais de Daniel Vorcaro ao filme sobre Bolsonaro.

Antes mesmo do aval dado por Mendonça à PF, a defesa do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro já havia acionado o STF buscando concentrar as investigações relacionadas ao filme no gabinete de Mendonça.

Os advogados pediram ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, que Mendonça assuma a investigação sobre suspeita de envio de emendas parlamentares à produtora do filme.

A defesa sustenta que o caso ficou com Dino porque os deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) apresentaram pedido de investigação diretamente na ação sob relatoria do ministro que trata sobre transparência em emendas parlamentares.

Os advogados Tracy Reinaldet, Matteus Macedo Leonardo Castegnaro lembram que outro pedido de investigação, este feito pelo Partido dos Trabalhadores, sobre repasses a produtora do filme deixou o gabinete de Dino por determinação de Fachin e foi enviado a Mendonça após pedido deles.

“Portanto, respeitosamente, em homenagem à coerência e à efetividade jurisdicional, assim como a fim de evitar decisões conflitantes e medidas contraditórias, que podem atrapalhar a apuração dos fatos, mostra-se necessário reconhecer, uma vez mais, que o Exmo. Min. André Mendonça é o relator prevento para apurar os fatos”, defendem os advogados.

O presidente do STF, que está em férias na reta final do recesso do Judiciário, ainda não decidiu sobre o pedido da defesa de Flávio. Até lá, os investigadores conduzirão as apurações sobre o caminho do dinheiro para o filme sobre Bolsonaro, seja por meio de emendas parlamentares ou via recursos de Vorcaro.

Fonte: cnnbrasil.com.br/Blog Teo Cury

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