EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas

Soldado durante uma operação na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, em 2017Foto: Silvia Izquierdo/AP Photo/picture alliance

Casa Branca diz redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando também os EUA. Governo brasileiro avalia que decisão é contraprodutiva e pode abrir margem para intervenções.

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28/05) a inclusão das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida entra em vigor no dia 5 de junho.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que afirmou que o governo dos EUA pretende usar “todas as ferramentas disponíveis” para combater o narcotráfico e interromper o financiamento dessas organizações.

“Juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e também o nosso país”, disse Rubio.

A inclusão na lista de organizações terroristas permite aos EUA ampliar sanções, restringir o financiamento e limitar a mobilidade internacional dos grupos e de seus integrantes. Medidas semelhantes já foram adotadas contra organizações criminosas como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nova Geração, além da MS-13 (EUA) e do Tren de Arágua (Venezuela).

O anúncio ocorre após encontros do senador brasileiro e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro com autoridades americanas em Washington. O parlamentar, alinhando com o trumpismo, afirma ter defendido a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas durante reuniões com o presidente Donald Trump e integrantes do governo dos EUA.

Governo brasileiro é contrário à decisão

O governo brasileiro se posiciona contra a medida. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes da diplomacia afirmam que classificar as facções como terroristas pode abrir margem para interpretações que afetem a soberania nacional, incluindo eventuais intervenções externas.

Durante visita este mês à Casa Branca, Lula defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas sem equiparar facções criminosas a grupos com motivação ideológica, como organizações terroristas do Oriente Médio. O plano seria asfixiar financeiramente as organizações criminosas transnacionais que atuam no Brasil e nos EUA. 

Carro queimado com a pichação "organize seu ódio"
Em outubro de 2025, confronto entre forças de segurança do Rio de Janeiro e membros do Comando Vermelho deixou casas e carros destruídos, no complexo da PenhaFoto: Saulo Angelo/TheNEWS2/ZUMA/picture alliance

Após o governo dos EUA divulgar sua decisão na quinta, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, disse que “equiparar o crime organizado ao terrorismo não é útil”.

“O crime organizado deve ser combatido com a máxima energia e determinação. Equiparar o crime organizado ao terrorismo, contudo, não ajuda. Compreender as motivações é essencial para a eficácia do combate a todos os tipos de crime”, disse Amorim.

Especialistas em segurança pública também avaliam que PCC e CV têm atuação predominantemente econômica, voltada ao tráfico de drogas, e não ideológica.

Neste segundo mandato, o governo de Donald Trump vem reorientando a política externa de Washington em relação à América Latina, sob a justificativa de combater o que chama de “narcoterrorismo”.

Ao longo dos últimos meses, forças mlitares dos EUA bombardearam diretamente diversas embarcações no Caribe, fora da jurisdição americana, sob alegação de combate ao terrorismo.

Em janeiro, os EUA atacaram a Venezuela e capturaram o então ditador Nicolás Maduro, resultando em sua deposição. A operação também teve como justificativa o combate ao narcoterrorismo.

le (efe, lusa, Agência Brasil)

Fonte: dw.com/Da Redação

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