Fórum dos Servidores unifica sindicatos em plenária e define mobilização na Governadoria para fortalecer Cassems

Lideranças de 22 entidades de classe cobram corresponsabilidade financeira do Governo do Estado, propõem cobrança progressiva na mudança de contribuição de cônjuge, entre outras medidas

Com condução firme do Fórum dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul, cerca de 35 representantes sindicais de 22 entidades de classe realizaram uma plenária importante na tarde desta quarta-feira (27), na sede do Sindijus-MS, na capital. O encontro uniu diferentes categorias do funcionalismo público em torno de um objetivo central: organizar uma mobilização para cobrar do Governo do Estado para que assuma sua corresponsabilidade financeira no custeio da saúde do funcionalismo público, fortalecendo e preservando a estrutura da Cassems diante do atual cenário econômico.

Além disso, foram sugeridas eventuais soluções para reduzir o impacto da mudança na contribuição de cônjuge, como por exemplo, a possibilidade de escalonar o valor até chegar aos R$ 450. Também foi falado sobre os cônjuges que já estão realizando tratamento específicos de saúde, sendo importante que busquem mais informações junto à gestão da Cassems, onde será analisado caso a caso.

A plenária foi aberta pelos coordenadores do Fórum dos Servidores Fabiano Reis de Oliveira (Sindijus-MS), Mário Jurado (Sinpol-MS) e Ana Cláudia (Sisalms), foi de defesa da instituição, que completou 25 anos em 2026. O Fórum deliberou que o enfrentamento político não deve ser contra o plano de saúde — considerado um patrimônio dos trabalhadores —, mas sim pensando no prejuízo salarial acumulado durante a gestão do governador Eduardo Riedel, que prejudicou diretamente a arrecadação do plano, tendo em vista que é proporcional ao salário do servidor.

Outro ponto, fortemente discutido foi a necessidade de o Governo do Estado assumir a responsabilidade de elevar o repasse patronal para 6%. Na ocasião, o coordenador Leonardo Lacerda (Sindijus-MS) explanou sobre o desequilíbrio financeiro enfrentado pelo plano de saúde que é reflexo direto de uma tríade de fatores estruturais: as perdas salariais históricas da categoria, cujo achatamento dos vencimentos reduz a arrecadação da operadora por ser baseada em percentuais dos salários.

Além da inflação da saúde suplementar, caracterizada pela elevação contínua dos custos de procedimentos, insumos e tratamentos médicos acima dos índices oficiais; e o envelhecimento dos beneficiários, cenário que eleva naturalmente a sinistralidade e a demanda por atendimentos mais complexos. Durante a reunião, os dirigentes sindicais enfatizaram que os servidores não podem arcar sozinhos com o peso inflacionário da saúde suplementar, principalmente diante das perdas salariais acumuladas. A mesa diretora reafirmou que a união da base é a única ferramenta capaz de arrancar um posicionamento efetivo do Executivo estatual.

“Não adianta a gente brigar entre a gente aqui. A gente tem que ir para cima de quem realmente nos deixou com 40% a menos do salário com as perdas salarias durante os últimos anos e está dando auxílio-saúde para um monte de gente que tem alto salário e está deixando quem tem os menores salários ficar com o problema”, protestou Ricardo Bueno (Sintss-MS).

Buscando propostas viáveis para proteger o orçamento das famílias sem desamparar o caixa da operadora, a plenária debateu mecanismos de transição para a nova taxa de R$ 450,00 por cônjuge. A presidente da Fetems, professora Deumeires Morais, defendeu que o Fórum pautasse um modelo escalonado de cobrança como alternativa de fôlego para os servidores conseguirem se organizarem.

“Temos de debater aqui propostas possíveis, quero fazer um apelo se for possível de escalonamento na contribuição, para inicialmente começar com R$ 250,00 e aí já traz um fôlego e para as famílias, porque R$ 250,00 é mais fácil que R$ 450,00, aí depois vai aumentando até chegar nos R$ 450,00 “, sugeriu Deumeires.

Ela completou agradecendo a atuação do Fórum. “Quero aqui agradecer por esse chamamento para que juntos a gente possa discutir que tipo de mobilização que nós podemos fazer em conjunto para pressionar o governo do Estado. Então o peso do nosso debate é fundamental, é importante, mas tem de ser uma régua mais alta, dentro do que os servidores são capazes de debater e construir“.

Presidência da Cassems realiza esclarecimento técnicos

Presente na plenária a convite do Fórum para prestar esclarecimentos técnicos e aproximar a gestão das bases, o presidente da Cassems, Dr. Ricardo Ayache, ouviu as reivindicações e elogiou a postura madura das entidades em focar na sustentabilidade do plano de saúde por meio do diálogo construtivo. “É óbvio que críticas são importantes porque nos ajudam a corrigir, nos ajudam a corrigir problemas que às vezes a gente não visualiza”, admitiu abertamente Ricardo Ayache.

O gestor acolheu a proposta de escalonamento sugerida pelas lideranças sindicais e garantiu que a equipe técnica já está debruçada sobre os números para avaliar as possibilidades, inclusive referente ao um eventual escalonamento.

“Acredito que tivemos aqui várias contribuições importantes, como a necessidade de a gente fazer um debate profundo sobre o estatuto, porque a Cassems que tem 25 anos, tanta coisa mudou de logo para cá, e nós precisamos ter maturidade para entender que as coisas precisam ser ajustadas ao longo do tempo, de forma a produzir o melhor desempenho. Eu pedi para o nosso pessoal estudar a possibilidade de escalonar simplesmente por valor, ou você escalona pensando em faixa salarial. Então eu pedi esse estudo”, detalhou o presidente da operadora.

Encaminhamentos

As lideranças sugeriram a realização de uma reunião virtual — prevista para a próxima segunda-feira (1º de junho) — para estruturar os detalhes logísticos de uma mobilização para agilizar a pauta diretamente com o governador Eduardo Riedel.

“O que nós já estamos fazendo é tentar reunir algo com o governo. Acredito que nós temos que mobilizar e se reunir com o governador Riedel e buscar diretamente com ele um posicionamento”, destacou o coordenador do Fórum dos Servidores, Fabiano Reis de Oliveira.

Participação efetiva

Participaram cerca de 35 representantes sindicais, de diversas entidades representativas como o Fórum dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul, Sinmasul, Sindetran-MS, Sinpof-MS, AME-MS, Dieese-MS, Sinsercon, Sindsad, Sinpol, Fersep, Sigeasfi, Sindasp-MS, Sintss-MS, Sinterpa, Sinder-MS, Sisalms, Sindijus-MS, Sinsemp-MS, Fetems, Sinsapp-MS, Sindafaz e ACP-MS.

Texto e imagens: Roberta Cáceres / Jornal Servidor Público MS

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