Vieira culpa Gilmar Mendes e manobras por rejeição de relatório na CPI

Senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) • Waldemir Barreto/Agência Senado
Comissão rejeitou por 6 votos a 4 o texto final do relator, que indiciava ministros do STF e o procurador-geral da República

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB), culpou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e manobras políticas do governo pela rejeição do relatório final na CPI, que propôs indiciar ministros da Suprema Corte e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade.

“O modus operandi de Gilmar é uma ameaça, e que interfere diretamente na votação da CPI”, afirmou Vieira. “A gente teve uma interferência direta, a troca de integrantes para conseguir um quórum de rejeição.”

CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) rejeitou nesta terça-feira (14), por 6 votos contra e 4 a favor, o relatório final apresentado por Vieira, que indiciava por crimes de responsabilidade os ministros do STF Alexandre de MoraesDias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Antes da votação, o colegiado teve trocas na sua composição. Com as mudanças, aliados do governo que eram suplentes também passaram a ocupar vagas de titulares e foram orientados a votar pela rejeição do relatório.

A reunião desta terça é a última do colegiado. Com quatro meses de duração, a CPI mirava a prorrogação por mais 60 dias, mas não recebeu o aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

CNN Brasil procurou o ministro Gilmar Mendes, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Relatório de Vieira

Com 221 páginas, o parecer do relator mirou principalmente condutas de ministros do Supremo. Para os três ministros do STF, Vieira atribuiu a conduta de “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.

No caso de Moraes e Toffoli, ele também aponta que os magistrados teriam atuado em julgamentos quando em “estado de suspeição”.

O relator apresenta como argumentos as relações financeiras de ministros e familiares dos magistrados com o Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master; viagens de integrantes do STF em aeronaves de empresas ligadas a Vorcaro; e interferências em processos judiciais.

Durante os trabalhos da comissão, decisões do STF foram alvo de críticas da cúpula da CPI, que chegou a recorrer das decisões. Determinações de ministros da Corte dispensaram depoentes convocados e inviabilizaram quebras de sigilo aprovadas.

Apesar dos pedidos feitos, uma comissão de inquérito não tem competência para indiciar pessoas, mas pode sugerir o indiciamento ao Ministério Público.

Em relação a Gonet, o relator avaliou que o procurador-geral foi “desidioso no cumprimento de suas atribuições” por suposta “omissão” diante de indícios apresentados contra ministros do Supremo.

Fonte: cnnbrasil.com.br/Alan Cardoso, da CNN Brasil*, Taísa Medeiros, da CNN Brasil, São Paulo e Brasília

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