Após anos de diálogo, servidores do Detran-MS intensificam mobilização e estabelecem prazo para resposta do Governo
Com indicativo de greve para 29 de abril, categoria cobra calendário para regularização de promoções e reestruturação da carreira
Após sucessivas tentativas de diálogo sem avanços concretos, os servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) vivem um momento de forte mobilização e unidade. A categoria tem se organizado de forma coesa diante do que classifica como um processo contínuo de enfraquecimento institucional do órgão.
O movimento ganha força com a adesão de servidores efetivos e comissionados, que apontam a ausência de políticas estruturantes como fator determinante para a atual crise. Entre as principais preocupações estão a ampliação da terceirização, a falta de concursos públicos há mais de uma década e os impactos diretos na qualidade dos serviços prestados à população.

Três anos de espera sem resultados
Em entrevista ao Jornal Servidor Público MS, o presidente do Sindetran-MS, Bruno Alves, que também atua como presidente da Federação Nacional dos Servidores de Detrans e Agentes de Trânsito Estaduais, Municipais e do Distrito Federal (Fetran), destacou que o limite da categoria foi atingido há muito tempo, sendo anos de tentativas de construção de soluções por vias institucionais.

“Mantivemos diálogo contínuo com o Governo ao longo de 2023, 2024 e 2025. No entanto, chegamos a 2026 sem avanços concretos, como se todo esse esforço tivesse sido desconsiderado. O que se observa é um processo crescente de precarização das atribuições e funções do Detran, com reflexos diretos na prestação do serviço público.”
A falta de respostas efetivas resultou em uma indignação expressiva da categoria. Atualmente, há oito ciclos de promoções acumulados desde 2022, situação que, segundo o sindicato, compromete a valorização e a motivação dos servidores.
“Hoje acumulamos um passivo significativo de promoções não efetivadas, que se estende desde 2022. Já são oito ciclos em atraso, caminhando para dez. A categoria precisa de um calendário claro e objetivo para a regularização dessas promoções”, explicou Alves.

Negociação sob pressão
Na última segunda-feira (06), representantes do sindicato se reuniram com o secretário de Estado de Administração, Roberto Gurgel de Oliveira Filho, e com Rudel Trindade, Diretor-Presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), para tratar das demandas da categoria. Durante o encontro, o Governo solicitou prazo até o dia 28 de abril para análise e eventual encaminhamento das propostas.
“Na reunião realizada na Secretaria de Administração, foi solicitado um prazo até o dia 28 de abril para avaliação das demandas. A categoria aguarda esse retorno com expectativa de avanços concretos e compatíveis com a realidade enfrentada pelos servidores.”

Prazo definido e possibilidade de greve
Diante do histórico de adiamentos, a categoria estabeleceu o dia 28 de abril como prazo limite para a apresentação de propostas efetivas. O não cumprimento desse prazo poderá desencadear medidas mais contundentes.
“A categoria aguarda uma resposta objetiva dentro do prazo estabelecido. Caso não haja avanço ou se repitam práticas de adiamento, a assembleia poderá deliberar a deflagração de greve por tempo indeterminado, com início no dia 29 de abril”.

O Sindetran-MS reforça que o movimento não se restringe à pauta salarial, mas abrange a defesa da estrutura do órgão e da qualidade do serviço público. A substituição de atividades técnicas por modelos terceirizados é apontada como um risco à eficiência e à segurança dos processos.
Impactos e momento decisivo
O indicativo de greve ocorre em um período sensível, próximo ao encerramento dos prazos de licenciamento de veículos com placas finais 1 e 2, previsto para 30 de abril. Ainda que os serviços essenciais sejam mantidos, a mobilização poderá impactar o funcionamento regular do atendimento.

Funcionalismo em alerta
A mobilização dos servidores do Detran-MS reflete um cenário mais amplo de insatisfação no funcionalismo estadual. O Fórum dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul manifestou apoio ao movimento, reforçando críticas à condução das negociações por parte do Governo, especialmente diante de reajustes considerados insuficientes frente às perdas acumuladas.
Fonte: Roberta Cáceres / Jornal Servidor Público MS
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