14 de outubro de 2026
Política

2º turno: abstenção nas eleições afeta mais Lula do que Flávio Bolsonaro

Estratégia de campanha de Lula turno mira diminuir abstenção no 2º turno para virar resultado contra Flávio Bolsonaro/Ricardo Stuckert/ campanha Lula e Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

A estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para vencer as eleições no 2º turno tem como principal foco os mais de 33,4 milhões de eleitores que não foram às urnas na primeira etapa das eleições. No entanto, analistas consultados pelo Metrópoles apontam que o índice de abstenção pode ter impacto maior nos resultados de Lula do que nos do senador Flávio Bolsonaro (PL).

A avaliação é que o perfil majoritário desse contingente é formado por eleitores que tendem a votar em Lula. Os analistas avaliam que, historicamente, a camada que compõe o índice de abstenção no Brasil é formada, majoritariamente, por:

  • Pessoas de baixa renda e baixa escolaridade;
  • População jovem e idosos com mais de 70 anos.

Na avaliação do cientista político Antônio Lavareda, esse recorte também converge com o perfil dos eleitores que historicamente estão alinhados ao presidente Lula ou que declaram voto a ele. “Quem perde voto nesse contingente é o Lula, pelo largo quantitativo dos votos dos pobres e baixa escolaridade que formam esse bloco”, pontua Lavareda.

Pesquisas de intenção de voto realizadas pelo instituo Datafolha traçou um perfil dos eleitores. Para aqueles que declararam voto em Lula, o levantamento mostrou:

  • 60% declararam ter até estudado até o ensino médio;
  • 61% possuíam renda familiar de até 2 salários mínimos;
  • 53% jovens de até 24 anos;
  • 51% com 60 anos ou mais.

Razões para abstenções

As razões para não ir votar são diversas e variam conforme a faixa analisada. No caso do grupo formado por eleitores de baixa renda e escolaridade, questões estruturais podem estar entre as principais razões para a ausência nas urnas.

A explicação, pontua Lavareda, está nos obstáculos que sair de casa impõe à essa parte do eleitorado. Entre eles, a dificuldade de acesso aos locais de votação ou distância da seção eleitoral. Em busca de corrigir esse índice, o TSE determinou a gratuidade dos transportes públicos nos dias de votação, mas a medida ainda por si só ainda é pouco eficaz.

“Uma mãe solo com filhos, com quem vai deixar as crianças para votar? Se elas forem junto, isso já acumula novos custos financeiros: a saída de casa, a programação, a alimentação. Se for o caso de um casal que votam em locais diferentes, como fica a dinâmica com os filhos? A situação ganha ainda mais tons de dificuldade se a eleição ocorrer em um dia com chuva”, diz Lavareda.

No que diz respeito às faixas etárias, o cientista político Leandro Gabiatite explica que, entre os jovens, a abstenção pode estar associada à descrença na política ou ao desinteresse pelo tema. Já entre os eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, a possibilidade de não comparecer às urnas pode favorecer a ausência no dia da votação.

Eleições no Brasil

  • O Brasil votou para presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual e distrital neste ano.
  • O 1º turno do pleito ocorreu no domingo (4/10) e definiu a composição das Assembleias Legislativas estaduais e da Câmara Legislativa do Distrito Federal, além das bancadas que representarão os estados no Congresso Nacional.
  • A disputa pela Presidência da República será decidida no 2º turno, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A votação está marcada para 25 de outubro.
  • Em relação aos Executivos estaduais, 20 estados elegeram governadores ainda no 1º turno, as outras sete unidades federativas definem seus respectivos governadores no dia 25.

Campanha de Lula mira abstenção

De olho no 2º turno, a campanha do presidente Lula tem apostado em uma mobilização do eleitor. Nas redes sociais o petista já aposta em uma comunicação direta com essa parte do eleitorado, fazendo convocações sobre a necessidade de comparecer nas urnas e em uma tentativa de reverter as faltas.

“35 milhões não foram às urnas. É hoje de conversar e convencer“, diz uma publicação na conta do presidente Lula nas redes sociais. O petista também passou a fazer postagens em um modelo inédito: vídeos no formato selfie — uma iniciativa que a campanha acredita ser capaz de aproximá-lo do internauta em busca de um melhor desempenho nas redes.

A mudança na comunicação demonstra o foco do petista em reverter o índice de abstenção registrado no primeiro turno das eleições deste ano, considerado o mais alto dos últimos cinco pleitos presidenciais. Em um desses vídeos, o petista aparece convocando aquela faixa do eleitorado que não votou no 1º turno. Veja:

Veja: https://www.instagram.com/lulaoficial/?utm_source=ig_embed&ig_rid=A8CUpNCeiLpcJXqkptGFQfC

Abstenção tende a não diminuir no 2º turno

A estratégia, contudo, é considerada arriscada. Como já mostrou o Metrópoles, os números de abstenções em eleições presidenciais não tendem a diminuir no 2º turno. Das quatro disputas realizadas de 2010 a 2022, três registraram aumento no índice de não comparecimento na segunda rodada de votação. A exceção foi 2022, quando a taxa caiu.

Os dados demonstram um desafio para a estratégia da campanha de Lula. Mesmo em 2022 quando houve redução da abstenção no segundo turno, o número de pessoas que foi votar não era capaz de mudar o resultado do pleito. Neste ano, levando em considerando o resultado do 1º turno, o petista precisaria reverter 2,2 milhões de votos — diferença de votos entre ele e Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com o TSE, 125,3 milhões de eleitores compareceram, no 1º turno, às seções eleitorais para votar neste ano. O número equivale a 78,92% do eleitorado apto.

Fonte: metropoles.com/Carinne Souza


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