Valor da conta de energia deve disparar em 2026; entenda

Consultorias estimam reajustes tarifários de 7,6% a até quase 10%, a depender da região do país. Reservatórios em baixa pioram cenário/Foto: Arthur Menescal/Especial Metrópoles

A energia elétrica foi o subitem que teve a maior alta dentro da inflação em 2025. Neste ano, previsões de consultorias é de que ela também terá uma forte alta nos preços, chegando até o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA).

Consultorias estimam incremento médio no país de 7,64%, mas valor por região pode se aproximar dos 10%.

O conjunto de fatores que explicam a previsão de preços mais altos para a energia é composto por baixo volume nos reservatórios das hidrelétricas, ausência de descontos extras como em 2025 e subsídios a fontes mais caras.

Em 2025, o subitem energia elétrica foi o que mais puxou o IPCA para cima, com 12,31%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apura o índice. O resultado colocou a energia elétrica com uma inflação três vezes a do índice geral, que foi de 4,26%.

A consultoria Thymos Energia prevê que o preço médio da energia elétrica suba 7,64% em 2026. A TR Soluções tem uma projeção mais moderada, alta de 5,4%, ainda assim acima das projeções do IPCA, majoritariamente abaixo dos 4%.

No caso da TR Soluções, as previsões por região estimam reajustes de 0,30% a até 9,81%. Confira as estimativas por região:

  • Sul: 9,81%
  • Sudeste: 7,69%
  • Norte: 3,65%
  • Centro-Oeste: 1,41%
  • Nordeste: 0,30%

As previsões de reajustes pesados no preço da energia elétrica estão no radar das estimativas de bancos. O Bradesco, por exemplo, vislumbra um cenário hidrológico “desafiador, com irregularidade de chuvas”.

Os dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) indicavam nesta segunda que os subsistemas compostos pelos reservatórios das hidrelétricas estavam com capacidades variando de 43,92% a até 65,85%:

  • Subsistema Sudeste / Centro-Oeste – 55,40%
  • Subsistema Sul – 43,92%
  • Subsistema Nordeste – 65,85%
  • Subsistema Norte: 64,85%

Pode piorar

O cenário das hidrelétricas pode piorar. No momento, estamos em um estágio climático considerado de estabilidade, ou seja, sem atuação do El Niño ou da La Niña. Se houver o aquecimento das águas superficiais do pacífico equatorial, que é a ocorrência de El Niño, a tendência é que as chuvas diminuam.

O menor nível dos reservatórios implica em maior acionamento das termelétricas para suprir a demanda. Como estes equipamentos têm custo maior, devido à dependência de combustíveis, o preço aumento e acaba incorrendo em repasse ao consumidor por meio das bandeiras tarifárias.

As bandeiras variam de verde a até vermelha patamar 2. A bandeira verde é a que isenta o consumidor de qualquer taxa extra. No caso da aplicação da bandeira amarela, a cada 100 kWh consumidos, há o acréscimo de R$ 1,88. Os patamares 1 e 2 da bandeira vermelha resultam na cobrança extra, a cada 100 kWh consumidos, de R$ 4,46 e R$ 7,87, respectivamente.

Outros fatores

No ano passado, as contas de energia elétrica tiveram um alívio no último trimestre decorrente de um bônus da Usina Hidrelétrica de Itaipu, ou seja, um fator que não vai se repetir e deve alimentar preços mais caros para o subitem.

A entrada em vigor da tarifa social, vai beneficiar milhões de consumidores de baixa renda, mas, em contrapartida, a isenção vai gerar um aumento médio de 0,9% para os demais consumidores regulados, conforme cálculos do governo. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o impacto imediato na conta de energia com a ampliação da tarifa social será de R$ 4,45 bilhões.

Metrópoles pediu um posicionamento do MME a respeito das projeções baseadas no atual cenário e aguarda uma resposta.

Fonte: metropoles.com/Deivid Souza

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