Vereadores cedem à pressão de Adriane e adiam votação sobre IPTU para véspera do fim do desconto
Adriane, Papy e Carlão (Foto: Izaias Medeiros/ Câmara de Campo Grande)
Vereadores de Campo Grande que se comprometeram a decidir sobre o IPTU na primeira sessão do ano, recuaram e adiaram para o dia 10 de fevereiro a votação do veto. Eles cederam a pressão da prefeita Adriane Lopes (PP), que esteve na casa de leis na segunda-feira (02) e deposita no pagamento do IPTU, a responsabilidade de organizar o caos financeiro que Campo Grande está.
Depois de quase duas horas de sessão, que contou com protesto das assistentes de educação infantil, o presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB) decidiu retirar a votação do veto do IPTU da ordem do dia. Eles marcaram uma audiência pública sobre o assunto na quinta-feira (5) e a votação no dia 10, apenas dois dias antes do vencimento do imposto com desconto de 10%.
O pedido de adiamento foi da vereadora Luiza Ribeiro (PT) e acatado por Papy, que defendeu a mudança. “Compreendo que o pedido traz maturidade institucional de debater com a sociedade que é quem está sofrendo com isso. Honestamente, o executivo também não pode fazer uma manifestação pública sobre o assunto”, disse.
Essa é a segunda vez que os vereadores deixam a população sem respostas sobre o IPTU. No dia 12 de janeiro deste ano, eles interromperam o recesso legislativo para derrubar a atualização da taxa do lixo, mas se omitiram quando o projeto foi vetado pela prefeita Adriane Lopes.
O aumento abusivo do IPTU de 396% tem gerado uma série de repercussão entre a população, que também perdeu 20% de desconto, sem chance de negociação.
Vereadores cedem diante a pressão
Luiza Ribeiro justificou que pediu o adiamento da votação para “dar oportunidade de ouvir as razões das entidades que representam o interesse do contribuinte”, citando Associação dos advogados Independentes , OAB, CRECI, SECOVI, CDL, FCDL, Ministério Público Estadual e Defensoria Pública Estadual.
Após a retirada da votação da pauta, o vereador Marquinhos Trad (PDT) se manifestou sobre o assunto. “Eu sou contra, absolutamente contra e está se gerando uma falsa expectativa no cidadão. Lamentável”, disse.
Maicon Nogueira (PP) “Essa Câmara perdeu hoje uma ótima oportunidade. Lamento o pedido de retirada e digo que não vai demorar, porque temos um novo prazo e os vereadores terão a oportunidade de mostrar de que lado estão, da injustiça tributária ou da conta da ineficácia administrativa
O vereador Ronilço Guerreiro (Podemos), disse que sai da sessão chateado porque queria votar o veto. “As pessoas me cobram nas feiras de rua e eu iria votar pela derrubada do veto. A sociedade quer da gente posicionamento”.
Rafael Tavares (PL) disse que estranhamente surgiu o pedido de adiamento que pegou todo mundo de surpresa. “Não conseguimos votar algo tão importante e que a população esperava. Fui contra o adiamento e votarei contra o aumento de impostos”.
Papy se explicou dizendo que ouve uma articulação dos amigos que gostariam de mais um tempo para se debater o aumento do IPTU. “O pedido veio da manifestação das pessoas, pedindo tempo para a audiência pública. Eu pausei a sessão e deliberei com a casa”.
O mais estranho é que o pedido de adiamento partiu da vereadora de oposição. Luiza Ribeiro chegou a propor projeto para suspender o reajuste abusivo no IPTU e na taxa do lixo.
Ao adiar, a Câmara Municipal deixa o contribuinte, literalmente, na berlinda e sem expectativa de que o aumento extorsivo vá cair. Adriane tem pressionado o parlamento e até propagado, por meio de influencers e jornais aliados, de que a suspensão do aumento vai gerar caos financeiro. No entanto, a prefeita não reduziu o valor repassado à Solurb, que recebeu R$ 164,8 milhões no ano passado.
Aumento abusivo saiu pela culatra
A estratégia da prefeita de atualizar a cobrança da taxa do lixo como forma de equilibrar a crise financeira do município, não deu certo até o momento. Foi o famoso tiro pela culatra. Conforme dados da arrecadação municipal, em janeiro deste ano, a Prefeitura de Campo Grande recebeu R$ 148,8 milhões com o pagamento IPTU. O montante é 51% menor que os R$ 308 milhões arrecadados em janeiro de 2025 com o tributo. Três ações judiciais tentam derrubar o aumento e já contam com parecer favorável do Ministério Público Federal.
O lobby da prefeitura com os vereadores tem se arrastado há dias. No fim de semana, eles se reuniram com os secretários municipais de Infraestrutura e Serviços Públicos, Marcelo Miglioli, e de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha.
De acordo com Miglioli, existe um desequilíbrio financeiro entre a arrecadação e as despesas na coleta do lixo na Capital. Em 2023, a prefeitura gastou cerca de R$ 119 milhões e arrecadou R$ 35 milhões. Em 2024, os números atingiram R$ 123,5 milhões e R$ 41 milhões, respectivamente. No ano passado, os custos subiram para R$ 137 milhões, frente ao recolhimento de R$ 41,8 milhões.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres