Superquarta: Brasil e EUA divulgam taxa de juros sob dúvida de queda

A “superquarta” acontece quando as taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos são definidas no mesmo dia/Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Banco Central (BC) e o Federal Reserve (FED), autoridade monetária dos Estados Unidos, vão decidir nesta quarta-feira (28/1) o patamar da taxa de juros dos países, que está em 15% ao ano no Brasil e de 3,50% a 3,75% ao ano nos EUA.

O mercado financeiro espera que o tanto do Comitê de Política Monetária (Copom), quanto o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), responsáveis por conduzir a politica monetária, mantenham as taxas de juros nos patamares atuais.

Cenário brasileiro

No caso do Brasil, o mercado financeiro espera a manutenção da taxa em 15%. A comunicação do BC tem mostrado cautela com a política monetária e compromisso em levar a inflação para a meta, que é de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

No último comunicado, o Copom antecipou a manutenção do juros, com o objetivo de “examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Para a economista Iana Ferrão, do BTG, no entanto, apesar da política monetária permanecer contracionista e com desaceleração da atividade e funcionamento dos canais de transmissão, existe espaço para o inicio da flexibilização monetária ainda em janeiro.

Entenda os juros no Brasil

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação;
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país;
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país;
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores;
  • Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula (PT) e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC;

Cenário americano

Nos Estados Unidos, o mercado também espera a manutenção da taxa. Além dos recentes ataques ao FED e da pressão imposta pelo presidente Donald Trump, o banco central dos EUA vai pesar os dados de emprego, inflação e atividade econômica.

Um dos principais fatores que pode ser utilizado pelo FED para justificar a manutenção dos juros é que o índice que mede a inflação ao consumidor nos EUA subiu 0,3% em dezembro e fechou o ano em 2,7%, acima da meta de 2% definida pelo banco.

Expectativa do mercado financeiro

Para o economista Leonardo Costa, do ASA, apesar de antes projetar o inicio do ciclo de cortes no Brasil para janeiro, houve uma revisão da expectativa para o mês de março.

“A inflação corrente segue em patamar elevado, próxima ao teto do regime de metas, com desaceleração ainda lenta dos núcleos, em particular da inflação subjacente de serviços. Soma a esse quadro um aumento recente da incerteza política doméstica, em vistas da disputa presidencial no final deste ano, o que contribuiu para maior cautela dos agentes”, explicou.

Já segundo a Warren Investimentos, a reunião de dezembro do Copom foi realizada sob forte expectativa do mercado por sinalizações que indicassem o início do ciclo de cortes já em janeiro de 2026. No entanto, a ata frustrou essa percepção ao revelar um Copom que ainda busca elementos de segurança para avançar ao próximo estágio no ciclo de política monetária.

“Essa postura do Banco Central nos leva a ajustar a projeção de curto prazo para a taxa Selic. Mantemos a avaliação de que a taxa se encontra em patamar restritivo e que o aperto monetário tem surtido efeito sobre as expectativas e sobre a atividade. Contudo, a resiliência do mercado de trabalho, com ganhos reais de rendimento impactando a atividade e a inflação de serviços, permanece como um ponto de atenção”, aponta.

Sobre os EUA, a Warren afirma que a ata da última reunião mostrou um Fed dividido, condicionando as próximas decisões à desaceleração da inflação e à diluição dos efeitos tarifários.

“Nos EUA, os dados de emprego mostraram destruição de vagas acima do esperado, enquanto indicadores de atividade vieram mais fracos na margem”.

Copom terá dois diretores a menos

Os mandatos dos diretores Renato Dias de Brito Gomes, da Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Abry Guillen, da Política Econômica, terminam no dia 31 de dezembro de 2025, ou seja, o Copom está com dois diretores a menos.

Para a Warren, o risco de qualquer guinada na condução da política monetária é baixo em função da composição.

A expectativa é que o inicio da flexibilização monetária aconteça quando o comitê for inteiramente composto por indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Confira os integrantes do BC indicados por Lula:

  • Gabriel Galípolo – presidente do Banco Central;
  • Ailton Aquino – diretor de Fiscalização;
  • Gilneu Vivan ​– diretor de Regulação​;
  • Izabela Moreira Correa – diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;
  • Nilton David ​​– diretor de Política Monetária​;
  • Paulo Picchetti – diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos​;
  • Rodrigo Alves Teixeira ​​​– diretor de Administração​.

Fonte: metropoles.com/Gabriela Pereira

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