Secretário pastor prevê calote de R$ 800 mi e Adriane pressiona TJ para retomar tarifaço no IPTU

Prefeita e procurador-geral, Cecília Rizkallah, pressionar presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan, a manter aumento abusivo e ilegal de até 396% no IPTU (Foto: Arquivo)

Grande dará calote de R$ 800 milhões no IPTU 2026. Desesperada, a prefeita Adriane Lopes (PP) passou a pressionar o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, desembargador Dorival Renato Pavan, para suspender a liminar de primeira instância e retomar o aumento abusivo de até 396% no tributo e na taxa do lixo.

A chefe do Poder Executivo compareceu ao tribunal na tarde desta segunda-feira (9) para se reunir com Pavan no prédio do TJMS. Acompanhada da procuradora-geral do município, Cecília Saad Cruz Rizkallah, ela encontrou o presidente e o pressionou a suspender a decisão do juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, que concedeu liminar para limitar o reajuste do IPTU a 5,32% e determinou a recálculo do tributo em 30 dias.

Autoritária, Adriane atua para atropelar a juíza Denize de Barros Dodero, relatora dos recursos na 1ª Câmara Cível do TJMS. A magistrada vai analisar ainda o recurso da Associação dos Advogados Independentes, que pede a retomada do desconto de 20% e a suspensão do aumento ilegal e abusivo na taxa do lixo.

A pressão não se limita ao Poder Judiciário. A prefeita tenta impor a sua vontade na Câmara Municipal, ameaçando vereadores e demitidos servidores indicados por aliados que vão votar para derrubar o veto. Dois parlamentares, Maicon Nogueira e Professor Riverton, do mesmo partido, já sentiram a fúria da missionária da Assembleia de Deus Missões.

Calote milionário

Conforme o secretário municipal de Fazenda, a previsão era arrecadar R$ 1,034 bilhão com o IPTU e a taxa do lixo neste ano. No entanto, até o momento, a dois dias do vencimento para o pagamento à vista com desconto de 10%, a prefeitura só recebeu R$ 197,5 milhões. Isso significa que a maioria absoluta dos contribuintes não pagou e a prefeitura levou calote de R$ 836,6 milhões.

Os contribuintes não pagaram o IPTU na esperança de que a lei seja cumprida em Campo Grande – ou seja, de que o valor só seja corrigido pela inflação, como prevê decreto de Adriane. E mais, que no caso de valor acima da IPCA, o aumento seja aprovado pela Câmara Municipal.

Só que Adriane conta outra história para o presidente do Tribunal de Justiça. Ela culpou o juiz Ariovaldo Nantes Corrêa pelo calote de R$ 800 milhões, apesar do magistrado só ter deferido a liminar na sexta-feira (6) à noite. O tributo poderia ser pago do início de dezembro até o dia 12 de janeiro, primeiro prazo de vencimento.

Ofício do pastor Isaac José de Araújo, titular da Sefaz, confirma que contribuinte decidiu esperar pela redução do imposto para pagar IPTU (Foto: Reprodução)

“Ressalte-se ainda que proferir uma decisão assaz gravosa como a advinda do R. Juízo da 1ª Vara de Direitos Difusos e Coletivos, que demandaria revisão de lançamento indistintamente, sem averiguar a situação individual de cada contribuinte, fere a lógica do próprio mandado de segurança, que não admite dilação probatória, e que tem como requisito a prova pré-constituída, requisito este que seria impossível de cumprir na via estreita do mandado de segurança”, alegou a prefeita e a procurador-geral, desmerecendo a OAB/MS, uma das maiores instituições brasileiras, referência na defesa da Constituição e da democracia.

A OAB/MS só apelou à Justiça para cumprir a lei e dar uma esperança ao morador de Campo Grande, que apesar de viver em uma cidade abandonada pelo poder público, pelo menos, poderá dormir tranquilo, porque as leis são respeitadas e haverá segurança jurídica.

Até o Ministério Público Estadual se levantou contra a atitude ditatorial de Adriane e classificou o aumento abusivo e acima da inflação do tributo como uma forma de “confisco”. O Brasil só teve confisco uma vez, no início dos anos 90, na gestão desastrosa de Fernando Collor de Mello.

Prefeita deixou a cidade tomada por buracos desde que foi reeleita em outubro de 2024: agora diz que a culpa será do não pagamento do IPTU (Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado)

Adriane promete que não fará o que já não faz

“Além da interrupção abrupta do recebimento do tributo, impactando sobremaneira na arrecadação das receitas municipais, o que causará certamente grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas, a decisão prolatada vem sendo malversada por grupos mal-intencionados, que propagam desinformações e notícias falsas, causando caos e prejuízo aos próprios contribuintes que, em caso de dúvida, também deixarão de pagar o imposto na data e posteriormente terão que arcar com juros de mora e correção monetária”, afirma a prefeita, retomando um discurso de campanha, de que é vítima de fake News.

“Com a devida vênia, a decisão representa sérios riscos à ordem e à economia pública, uma vez que a sua não suspensão resultará em danos irreparáveis não só para o Município de Campo Grande, mais principalmente para a população que certamente será atingida nos serviços essenciais garantidos constitucionalmente”, alarmou a prefeita, sem citar que, mesmo recebendo os tributos em dia, não garantia a prestação mínima dos serviços.

Campo Grande está tomada por buracos nas ruas e avenidas desde a reeleição de Adriane. Servidores municipais não recebem reajuste salarial, um direito constitucional, desde a posse da atual prefeita. Com exceção da prefeita e do secretariado, que tiveram reajuste salarial, o resto da população paga a conta da gestão mambembe da atual prefeita.

Prefeita detona desembargador

A prefeita detona o desembargador Alexandre Branco Pucci, que negou liminar para suspender a decisão de primeira instância no plantão. “No caso presente, trata-se de decisão monocrática proferida em sede de Agravo de Instrumento em Mandado de Segurança, a qual, o Ilustre Desembargador designado para o plantão judiciário do período de 7 e 8 de fevereiro de 2026, houve por bem em determinar a redistribuição do recurso interposto, mesmo ante a gravidade da situação instalada no Município de Campo Grande com a decisão proferida pelo Magistrado da instância primeira, Dr. Ariovaldo Nantes Correa, juiz titular da 1ªVara de Direitos Difusos e Coletivos de Campo Grande, por entender não ser matéria afeta ao plantão”, alegou.

Adriane poderia resolver o problema em uma canetada e receber R$ 800 milhões. Bastava suspender o aumento abusivo, como fez Marquinhos Trad (PDT) em 2018, e poderia cortar custos, reduzir o repasse à Solurb, que cresce a cada ano e chegou a R$ 164 milhões no ano passado, segundo o Portal da Transparência.

No entanto, a prefeita, evangélica e a primeira mulher eleita pelo voto direto, optou por governar contra o povo e todo mundo.

Adriane decidiu não esperar pelo rito e atropelou a juíza Denize de Barros Dodero, relatora dos recursos no TJMS (Foto: Arquivo)

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

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