Repúdio internacional cresce após repressão do Irã contra manifestantes
Manifestantes protestam contra regime do Irã em Teerã — 09/01/2026 • Redes Sociais via Reuters
Líderes da Europa e Estados Unidos condenaram violência em protestos contra o governo iraniano
Autoridades estrangeiras manifestaram apoio público aos iranianos que foram às ruas nos últimos dias protestar contra o regime dos aiatolás, em meio à forte repressão do governo.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou no sábado (10) que o bloco europeu “apoia integralmente” os manifestantes. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou como “desproporcional” a resposta das forças de segurança iranianas aos protestos, acrescentando que qualquer violência contra manifestantes pacíficos é inaceitável.
“Numa tentativa de silenciar a contestação, o encerramento da internet acompanhado de repressão violenta revela um regime com medo do seu próprio povo”, escreveu Kallas na rede social X.
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, condenou no sábado a repressão e pediu à comunidade internacional que aumentasse a pressão sobre Teerã, traçando paralelos entre a repressão interna e a conduta do país no cenário global.
“O apoio do Irã à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia e a opressão dos seus próprios cidadãos fazem parte da mesma política de violência e desrespeito pela dignidade humana”, escreveu.
Ainda na sexta-feira, os líderes da França, da Alemanha e do Reino Unido condenaram “veementemente o assassinato de manifestantes” no país.
Em comunicado conjunto, o chanceler alemão, Friedrich Merz, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmaram que as autoridades iranianas “têm a responsabilidade de proteger a sua população e devem permitir as liberdades de expressão e de reunião pacífica sem receio de represálias”.
Donald Trump emitiu um novo alerta aos líderes iranianos também sexta-feira e, depois, seu secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou no sábado: “Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”.
A Guarda Revolucionária do Irã alertou que a proteção da segurança era uma “linha vermelha” e os militares prometeram proteger a propriedade pública, enquanto o regime intensificava os esforços para conter os protestos mais generalizados dos últimos anos.
Os protestos se espalharam por grande parte do Irã nas últimas duas semanas, começando como resposta à inflação crescente, mas rapidamente se tornaram políticos, com manifestantes exigindo o fim do regime islâmico.
O Exército alega que “grupos terroristas” querem acabar com a segurança. As Forças Armadas, que operam separadamente da Guarda Revolucionária Islâmica, mas também são comandadas pelo Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, anunciaram que irão “proteger e salvaguardar os interesses nacionais, a infraestrutura estratégica do país e os bens públicos”.
O procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi Azad, disse que os processos contra os manifestantes serão conduzidos “sem clemência, misericórdia ou apaziguamento”, segundo a agência Tasnim.
Em um país com um histórico de oposição fragmentada ao regime teocrático, o filho do último xá do Irã, deposto na Revolução Islâmica de 1979, emergiu como uma voz proeminente no exterior, estimulando os protestos.
Pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas em todo o Irã nos últimos 13 dias, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos, no maior desafio ao regime iraniano em anos.
Ao longo de 2025, quase 2 mil prisioneiros foram executados no Irã. O dado consta em um relatório elaborado pela organização Hengaw para direitos humanos, foram 1.858 mortos no total.
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.
A situação foi agravada pela decisão do Banco Central do Irã de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.
A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.
Fonte: cnnbrasil.com.br/Da CNN Brasil