Punido por soltar Palermo, desembargador ganhou R$ 1,39 milhão em salários em 2025
Aposentado, Divoncir Maran ganhou quase R$ 1,4 milhão em 2025 (Foto: Arquivo)
Punido com a aposentadoria compulsória, pena máxima, por ter concedido habeas corpus ao narcotraficante Gerson Palermo, o desembargador aposentado Divoncir Schreiner Maran recebeu R$ 1,396 milhão em salários em 2025. O ex-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul ganhou acima do teto e mais que o dobro do valor subsídio de um ministro do Supremo Tribunal Federal, que recebe R$ 46.366,18 por mês.
De acordo com o Portal da Transparência do TJMS, em subsídio e adicional, Maran recebeu R$ 644,5 mil no ano passado, enquanto penduricalhos somaram R$ 737 mil. O total pago – R$ 1,396 milhão – representa uma média de R$ 116,3 mil por mês.
Aposentado desde abril de 2024, o desembargador foi condenado, nesta terça-feira (10), por unanimidade pelo Conselho Nacional de Justiça. Ele ignorou instâncias, não exigiu exames médicos para provar os supostos problemas de saúde e concedeu a liberdade ao narcotraficante, condenado a 126 anos de prisão, durante o feriadão de Tiradentes em abril de 2020.
Palermo deixou a cadeia e fugiu após romper a tornozeleira. Até hoje, o bandido, apontado como um dos chefões da facção criminosa PCC, está foragido. Uma das suspeitas é de que ele esteja na Bolívia. No ano passado, ele foi acusado de sequestrar a própria filha para recuperar dinheiro.
O conselheiro João Paulo Schoucair, do CNJ, apontou que Maran tinha conhecimento prévio do HC antes da distribuição, analisou e acatou o pedido em 40 minutos apesar da petição contar com 208 páginas. “Trata-se de decisão flagrantemente inadequada, configurando grave violação aos deveres funcionais inerentes ao exercício da atividade jurisdicional”, afirmou.
Além da aposentadoria, o CNJ determinou o envio do processo contra Maran para o procurador-geral de Justiça, Romão Milhan Avila Júnior, que deverá analisar pedido para entrar com ação para cassar a aposentadoria do magistrado.
Ganhos extraordinários
No ano passado, o desembargador Divoncir Schreiner Maran ganhou R$ 49.929 de subsídio por mês. Além disso, ele teve mais retroativo referente a acúmulo de acervo, que lhe rendeu entre R$ 46 mil e R$ 100 mil. Esse valor foi pago sem qualquer tipo de desconto, livre de Imposto de Renda e contribuição previdenciária.
Ele ainda recebeu adicional por tempo de serviço, que oscilou entre R$ 14,9 mil e R$ 60 mil por mês.
O total pago a Maran, R$ 1.396.543.56. equivale ao valor acumulado pelo trabalhador sul-mato-grossense, com salário médio de R$ 3,4 mil, ao longo de 34 anos. O desembargador ganhou em um ano o que um cidadão comum levaria 410 meses em Mato Grosso do Sul.
Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt