Para “salvar” Capital do desastre, vereadores já admitem a cassação do mandato de Adriane

Impopularidade recorde: Adriane é apontada por institutos de pesquisa como a pior prefeita das capitais (Foto: Divulgação)

Os vereadores já admitem a cassação do mandato da prefeita Adriane Lopes (PP) como o único remédio amargo e necessário para “salvar” Campo Grande do abandono e da má gestão. A sessão extraordinária histórica, realizada na noite de segunda-feira (12), que suspendeu o aumento absurdo na taxa do lixo, foi marcada por criticas à administração da pepista.

Vários vereadores se mostraram arrependidos de terem feito campanha e votado na atual prefeita. Também revelaram que a população cobra medidas efetivas para resolver os problemas da cidade, como os buracos nas ruas, falta de remédios nos postos, obras paradas, farra com o dinheiro público e até escândalos de corrupção.

“Eu errei por votar na prefeita”, confessou Riverton Francisco de Souza, o Professor Riverton (PP). “Houve uma operação dentro da prefeitura”, destacou, sobre a Operação Apagar das Luzes, que cumpriu mandados de busca e apreensão na Secretaria Municipal de Infraestrutura e investiga o desvio de R$ 62 milhões da iluminação pública.

“Campo Grande não ficou mais rica, mas o IPTU subiu. Isso não é justiça fiscal, principalmente, porque os serviços públicos estão sendo depreciados dia após dia”, lamentou o vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil).

Ele contou que é abordado constantemente nas ruas pelos eleitores cobrando a cassação da prefeita. “As pessoas querem saber quando vamos cassar a prefeita Adriane Lopes? Não é remédio para prefeita ruim”, pontuou. Em seguida, Dr. Lívio deixou claro que fez campanha para a adversária, Rose Modesto (União Brasil), e que a atual prefeita foi eleita pelo povo.

Na mesma linha foi o vereador Flávio Pereira Moura, o Flávio Cabo Almi (PSDB). Ele ressaltou que talvez a melhor solução seja cassar o mandato de Adriane. “Se for resolver o problema de quem está morrendo na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), dos buracos nas ruas, não dá mais para esperar. Se cassar resolve, não vou mais me calar diante de tamanho desmando do Poder Executivo”, bradou.

Vereadores são cobrados diariamente: quando vão cassar o mandato de Adriane? (Foto: Divulgação/CMCG)

Nem aliados poupam Adriane

Nenhum dos 21 vereadores presentes na sessão defendeu a prefeita das acusações de má gestão, falta de sensibilidade e truculência. “Nunca houve uma desorganização tão grande”, detonou o vereador José Claro dos Santos Neto, o Pastor Neto Santos (Republicanos). Até Clodoilson Pires, o Bispo Clodoilson (Podemos), abandonou a prefeita e criticou a atual estão.

Parente da prefeita e aliado de primeira hora, o vereador Maicon Nogueira (PP), deixou claro o abandono da prima. “Não vou pagar o preço pela ineficiência e má gestão”, justificou-se o parlamentar.

Ex-secretário municipal da Juventude de Adriane, Wilton Celeste Candelorio, o Leinha (Avante), afirmou que é cobrado em todo o lugar pelos problemas enfrentados pela cidade, que são ignorados pela prefeita. Ele contou que moradores da sua região, o Bairro Los Angeles, tiveram aumento expressivo no IPTU e na taxa do lixo, mesmo sendo uma região carente. A taxa do lixo da mansão de Adriane teve redução de 41%.

“Não mais conseguindo nem ir na igreja”, contou o vereador aliado, sobre as cobranças feitas pelos eleitores.

Arrependido – Professor Riverto confessou que errou ao fazer campanha pela reeleição de Adriane (Foto: Divulgação)

Bolsonaristas abandonam prefeita

Até os bolsonaristas abandonaram a prefeita a própria sorte. O vereador André Salineiro (PL) afirmou que Adriane deu um tiro no pé ao reduzir o desconto no IPTU de 20% para 10%. Ele prevê que a arrecadação deste ano será uma das piores porque o contribuinte vai trocar o pagamento à vista pelo parcelado ou esperar um Refis.

“Temos obrigação de defender a população”, bradou outro bolsonarista, Rafael Tavares (PL), que apoiou a reeleição de Adriane antes mesmo do apoio ser oficializado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “É um sinal de independência”, avisou, sobre a derrubada do aumento ilegal e abusivo na taxa do lixo. Ele classificou a ofensiva para reduzir o IPTU como uma bandeira que une a esquerda e a direita.

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) reforçou às críticas e deixou claro que a prefeita buscou, de forma inovadora e ardilosa, elevar os tributos sem o aval da Câmara Municipal.

Contra a cassação

O único a deixar claro que é contra a cassação foi o primeiro secretário da Câmara Municipal, Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB). Réu por articular o golpe por cassar Alcides Bernal (PP) em março de 2013, ele defendeu esforços para “ajudar a prefeita.

“Cassar prefeito, tô fora. Cassei o Bernal, houve nove crimes, mas estou com processo no lombo até hoje”, lembrou o socialista. “A cidade está ruim, precisamos ajudar a prefeita a sair desse problema”, pediu Carlão.

O problema é que Carlão é acusado de articular a cassação de Bernal para ajudar empresários poderosos, como João Amorim, acusado pela Polícia Federal de ser sócio oculto da Solurb, e João Roberto Baird, o Bill Gates Pantaneiro. Na época, o povo era contra a cassação. Agora, o povo se manifesta pela cassação. A diferença entre Bernal e Adriane, o primeiro queria acabar com os esquemas de corrupção. Já atual prefeita só tem adotado medidas para punir o povo.

Pela primeira sessão do ano, a prefeita não vai ter vida fácil no legislativo. E tudo é reflexo do título de ser pior prefeita do Brasil. Em ano eleitoral, a situação fica ainda mais complicada, principalmente, porque vai pesar contra os políticos aliados que vão disputar as eleições.

Tô fora – Carlão diz que é contra a cassação de Adriane, apesar do povo pedir. Ele foi a favor da cassação de Bernal, apesar do povo ter sido contra (Foto: Divulgação)

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

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