Oposição fará obstrução e ameaça Orçamento se anistia não for pautada
Com Bolsonaro preso, líder do PL afirmou ao Metrópoles que bloco não votará nada até a análise do projeto de anistia, congelado na Câmara/Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A oposição prepara uma nova obstrução na Câmara em reação à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou ao Metrópoles que o bloco não votará nada, inclusive o Orçamento de 2026, até que o projeto de anistia aos envolvidos com o 8 de Janeiro seja pautado e analisado em plenário.
Bolsonaro confessa que queimou tornozeleira com ferro quente e justifica: “Curiosidade”. Vídeo
Sóstenes ainda afirmou que vai procurar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do assunto. Bolsonaro foi preso na manhã do sábado (22/11), por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A oposição entende que o projeto de anistia original, de teor amplo, geral e irrestrito, beneficiaria o ex-presidente.
Esta será a segunda obstrução promovida pela oposição na Câmara em nome da anistia. A primeira ocorreu em agosto deste ano, quando bolsonaristas escalaram o movimento e promoveram um motim ocupando fisicamente o plenário, demandando a votação do projeto, numa reação à prisão domiciliar de Bolsonaro.
Na ocasião, foi firmado um acordo para tramitação da anistia. A Câmara aprovou o regime de urgência do projeto, permitindo que ele seja deliberado diretamente no plenário, sem passar pelas comissões. Mas Motta deu a relatoria para o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que modificou o projeto para que ele trate apenas da redução de penas, de forma a promover liberdade apenas para os participantes da manifestação.
Bolsonaro, nesse caso, seria beneficiado apenas com uma redução da condenação, mas não escaparia da prisão. Dessa forma, o projeto de anistia foi rebatizado de “PL da Dosimetria“, mas até o momento segue sem perspectiva de ser votado na Câmara. A oposição, diante da prisão do ex-presidente, quer retomar a proposta original para beneficiar o líder da direita.
Enquanto isso, a preocupação do Congresso é com o Orçamento de 2026. O panorama dos gastos do próximo ano precisa ser votado até o recesso, em dezembro, sob risco de congelamento dos investimentos do governo federal e consequente atraso no pagamento das emendas parlamentares em pleno ano eleitoral.
Fonte: metropoles.com/Augusto Tenório