Do rúgbi ao protagonismo em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, Peter Claffey revela os bastidores da série

Peter Claffey interpreta ‘Sur Duncan, o Alto’ na série “O Cavaleiro dos Sete Reinos”/Foto: Reprodução/HBO)

Ator dá vida a Dunk e contou sobre seu personagem e o convite para o papel

Ambientada décadas antes dos eventos de Game of Thrones, ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ é a nova aposta da HBO Max para expandir o universo criado por George R. R. Martin.

Baseada nas novelas Dunk & Egg, a série acompanha a jornada de Sor Duncan, o Alto (Dunk), um cavaleiro errante de origem humilde, e seu improvável escudeiro, Egg, oferecendo uma perspectiva mais próxima do povo comum de Westeros — longe dos tronos, dragões e grandes intrigas palacianas.

Com uma abordagem mais intimista, a produção mistura aventura, honra e um humor sutil, explorando o contraste entre o ideal de cavalaria e a dura realidade do mundo medieval. O ator Peter Claffey, que interpreta Dunk, falou sobre sua trajetória até o papel, os desafios da produção e o que o público pode esperar dessa nova fase da franquia.

Da oval do rúgbi para os sets de filmagem

Antes de se dedicar à atuação, o Peter Claffey tinha uma carreira bem diferente: foi jogador de rúgbi. “Tive que parar quando as coisas começaram a ficar intensas com a atuação. O rúgbi é muito violento — um olho roxo é o menor dos seus problemas. Atuar definitivamente não combina com rúgbi”, relembra.

O convite para o interpretar ‘Sur Duncan, o Alto’ veio quase como uma surpresa. “Meu agente no Reino Unido me enviou um pedido para gravar um teste. Eu era um grande fã de Game of Thrones e conhecia aquele universo, mas não conhecia o livro O Cavaleiro dos Sete Reinos. […] não sabia exatamente o contexto e só tentei fazer o melhor possível.”

O retorno positivo trouxe ansiedade. “Quando veio a resposta, pensei: ‘Meu Deus, tem algo que eles gostaram’. Conforme o processo avançava, fui ficando cada vez mais nervoso. Estava perdendo o sono. Acho que devo ter feito algo certo para conseguir o papel no final.”

A conexão com Egg

O primeiro encontro com Dexter Sol Ansell, intérprete de Egg, aconteceu durante as audições finais.
“Se você não o conhece, fica imediatamente impressionado com a maturidade dele, muito além da idade. Ele é um ator brilhante. Criamos uma conexão instantânea quando começamos a contracenar.”

Quem é Dunk?

Para o ator, Dunk é um personagem moldado pela sobrevivência. “Ele veio do pior lugar possível de Westeros, Flea Bottom, onde você precisa lutar com unhas e dentes só para continuar vivo. Agora, ele está tentando encontrar seu lugar no mundo.” Após uma infância difícil, Dunk encontra um mentor. “Ser acolhido por Sor Arlan de Pennytree foi um ponto de virada. Ele ensinou Dunk a ser um cavaleiro honrado — algo raro em Westeros. Enquanto muitos fazem qualquer coisa para subir na vida, Dunk tenta seguir um código de honra. E o mundo coloca esse código à prova o tempo todo.”

Apesar da força física, o personagem carrega inseguranças. “Ele é ansioso e tem pouca confiança. Isso torna o personagem cativante e também traz humor, porque o público acompanha esse homem grande e forte tentando entender o mundo.”

o cavaleiro do sete reinos

HBO Max/Divulgação

Dunk não é apenas um gigante gentil. “Ele é forte, foi treinado pelo mestre, mas também carrega a experiência brutal de crescer em Flea Bottom. A fome, a necessidade de lutar para sobreviver… tudo isso faz diferença quando ele precisa vencer.”

Interpretar alguém essencialmente bom pode ser mais difícil do que parece. “Muitos atores dizem que é mais divertido fazer o vilão. Mas Dunk tem muita profundidade: o passado, o código moral, as pessoas que ele encontra. Foi um desafio — e um desafio maravilhoso.”

Humor discreto em meio à lama de Westeros

O humor é uma marca da série, mas surge de forma natural. “A história poderia ser interpretada de forma totalmente séria, mas o Ira Parker quis um humor discreto, que aparece nas reações e situações. Vem muito da forma como Dunk vivencia momentos constrangedores.”

A influência irlandesa também contribui. “Fiquei nervoso quando pediram um sotaque irlandês, porque meus testes eram com sotaque londrino. Mas acho que foi a escolha certa — ajuda até no tom cômico.”

Treinamento, cavalos e justas

O papel exigiu preparo físico intenso. “Tive dois meses de treinamento antes das filmagens. Hoje tenho muito orgulho do nível de equitação que alcancei.”

As cenas de justa, porém, foram um capítulo à parte. “Chuva, lama, vespas atraídas pelo sangue falso… foi um caos total. Mas os dublês foram incríveis. Mandaram muito bem.”

Bastidores, lama e emoção

Grande parte das filmagens aconteceu em Glenarm, na Irlanda do Norte. “O clima é difícil, mas a equipe torna tudo mais fácil. Ninguém reclamava, mesmo debaixo de chuva. A energia era incrível.” O encerramento das gravações foi mais emocionante do que o esperado. “No último dia, ouvi todo mundo cantando e comemorando. Fui agradecer pessoalmente. Eles criaram a atmosfera da série tanto quanto qualquer outro.”

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Segundo o ator, a principal diferença está no ponto de vista. “Essa história é contada a partir de alguém que está abaixo até mesmo dos nobres menores. Estamos no meio do povo comum, na sujeira de Ashford Meadow. Quando os Targaryen aparecem, é a partir desse olhar humilde.”

Ele finaliza com esperança — e bom humor: “Os fãs amam as novelas. Espero, com fé em Deus, que tenhamos feito justiça a elas. Caso contrário… minha cabeça vai parar numa estaca.”

Fonte: jovempan.com.br/Por Victória Xavier

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