Câmara anula aumento na taxa do lixo, derrota Adriane e reduz IPTU de 71% dos imóveis

Papy tentou acordo, mas prefeita foi irredutível e manteve o aumento de até 396% no IPTU e taxa do lixo (Foto: Divulgação)

Em sessão extraordinária histórica, realizada na noite desta segunda-feira (12), pelo placar de 20 a zero, os vereadores de Campo Grande suspenderam o reajuste abusivo na taxa do lixo e impuseram uma derrota homérica à prefeita Adriane Lopes (PP). Com a decisão, o valor do IPTU 2026 deve ter redução para 71% dos imóveis.

Contudo, o parlamento não conseguiu retomar o desconto de 20%, uma tradição adotada por 53 anos e reduzida a 10% pela atual prefeita da Capital. O presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy (PSDB), explicou que o legislativo não tinha competência legal para restabelecer o índice adotado desde 1973.

A mobilização da população, que passou a cobrar os vereadores em toda a parte, transbordou e tomou conta do legislativo. “A população está preocupada e desesperada porque não tinha como pagar, o imposto subiu três a quatro vezes”, contou o aliado de Adriane, o Pastor Neto Santos (Republicanos).

Leinha (Avante), outro aliado da prefeita, contou a cobrança chegou ao ponto de “não conseguir ir mais à igreja”. Até parente da prefeita, Maicon Nogueira (PP), votou pela suspensão da taxa.

A clima de revolta e indignação da população contra a prefeita tomou conta do espírito dos vereadores. Houve até parlamentar arrependido por ter feito campanha e votado em Adriane. “Eu errei de votar na prefeita”, confessou o Professor Riverton (PP). Ele ainda alertou a ainda aliada, de que se for à Justiça para manter o reajuste de até 396% no IPTU vai jogar contra Campo Grande.

Câmara suspende aumento abusivo

Com o voto de 20 vereadores, a Câmara Municipal suspendeu o Decreto 16.402, sancionado por Adriane Lopes em 29 de setembro de 2025, que alterou o PSEI (Perfil Socioeconômico dos Imóveis). Na prática, a prefeita reduziu a taxa do lixo dos ricos e aumentou, sem dó nem piedade, a dos mais pobres. A mudança reduziu em 41% a taxa do lixo da mansão de Adriane.

Os vereadores cancelaram a mudança e restabeleceram o Perfil Socioeconômico de Campo Grande de 2018, sancionado na gestão de Marquinhos Trad (PDT). Sem o aumento na taxa do lixo, o contribuinte só deverá arcar com o reajuste de 5,32% no valor do IPTU.

De acordo com a vereadora Luiza Ribeiro (PT), 71% dos imóveis tiveram reajuste acima da inflação e serão contemplados com o projeto de lei complementar aprovado hoje pela Câmara Municipal.

Presidente da Comissão Especial, o vereador Rafael Tavares (PL), expôs o drama do campo-grandense ao viver um ano de 2025 difícil, com buracos nas ruas e sem remédios nos postos de saúde, e depois se deparar com o reajuste de até 396% no IPTU. “Temos a obrigação de defender a população, enviar um sinal de independência e votar pela redução dos impostos”, ressaltou.

Representantes de entidades e instituições acompanharam a votação do projeto para suspender decreto de Adriane (Foto: Divulgação)

Outro vereador bolsonarista, André Salineiro (PL), não escondeu a frustração por não ter votado a volta do desconto de 20%. “Essa redução no desconto de 20% para 10% foi um tiro no pé, porque os contribuintes estão trocando o pagamento à vista pelo parcelamento”, avisou.

“É um dia histórico porque há mais de uma década a Câmara não realizava sessão extraordinária”, celebrou a petista. Luiza afirmou que Adriane era responsável pela derrota acachapante no legislativo, porque recorreu a ilegalidade e inovou na base de cálculo para elevar, de forma abusiva, o valor do tributo e da taxa do lixo.

“A Câmara está fazendo a vontade do povo de Campo Grande sob pena de desacreditar o legislativo”, alertou Luiza. Fábio Rocha (União Brasil) criticou a sanha do Poder Executivo de promover em uma única canetada e de forma ilegal o reajuste na taxa do lixo que não era praticada desde 2017. “É uma falta de respeito com a população, é falta de gestão”, detonou.

A prefeita poderá vetar o projeto. Caso a Câmara derrube o veto no início de fevereiro, ela poderá apelar à Justiça para manter o aumento ilegal e abusivo.

Dos 29 vereadores, 20 participaram da votação. Papy não votou por ser presidente e oito estavam viajando (Foto: Divulgação)

Votaram para anular o aumento abusivo na taxa do lixo:

  • Ana Portela (PL)
  • André Salineiro (PL)
  • Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB)
  • Clodoilson Pires (Podemos)
  • Dr. Jamal Salem (MDB)
  • Dr. Lívio Leite (União Brasil)
  • Fábio Rocha (União Brasil)
  • Flávio Cabo Almi (PSDB)
  • Herculano Borges (Republicanos)
  • Jean Ferreira (PT)
  • Júnior Coringa (MDB)
  • Leinha (Avante)
  • Luiza Ribeiro (PT)
  • Maicon Nogueira (PP)
  • Marquinhos Trad (PDT)
  • Neto Santos (Republicanos)
  • Otávio Trad (PSD)
  • Professor Riverton (PP)
  • Rafael Tavares (PL)
  • Veterinário Francisco (União Brasil)

Oito vereadores não participaram da votação

  • Beto Avelar (PP)
  • Delei Pinheiro (PP)
  • Dr. Victor Rocha (PP)
  • Silvio Pitu (PSDB)
  • Ronilço Guerreiro (Podemos)
  • Landmark Rios (PT)
  • Wilson Lands (Avante)
  • Professor Juari (PSDB)

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

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