Apesar de não ser atingida por “sacrifícios”, Adriane diz que sofre com ataques e perseguição
Prefeita Adriane Lopes na abertura do ano legislativo da Câmara (Foto: Izaias Medeiros/ Câmara de Campo Grande)
Apesar de não ser atingida pelos sacrifícios impostos à população para equilibrar as finanças, a prefeita Adriane Lopes (PP) lamentou, nesta segunda-feira (2), que ninguém sofreu tanto quanto ela no comando do município. “Prefeitos anteriores não sofreram o que eu estou sofrendo, ataques e desconstrução”, disse, colocando-se como vítima, embora tenha o apoio da maioria dos vereadores, de caciques políticos e de parte da mídia.
Enquanto servidores municipais estão sem reajuste há três anos, o salário de Adriane terá aumento de 66% em três vezes, sendo que passou de R$ 21,2 mi para R$ 26 mil no ano passado e deverá subir novamente em abril deste ano.
Enquanto o carnê do IPTU da maioria dos contribuintes teve majoração de até 396%, o tributo da mansão de Adriane teve acréscimo de apenas R$ 94, passando de R$ 12.247,12 para R$ 12.341.23. A taxa do lixo de 61% dos imóveis teve majoração acima da inflação, mas a da casa da prefeita no Bairro Carandá Bosque sofreu redução de 41%, de R$ 1,2 mil para R$ 706.
No entanto, na abertura do ano legislativo na Câmara Municipal, a pepista se colocou como vítima e culpou os antecessores pela situação de calamidade das finanças e pelo abandono da cidade, apesar de estar no segundo mandato e no cargo há três anos. “Prefeitos anteriores não sofreram o que eu estou sofrendo, ataques e desconstrução”, disse ela na Câmara, ao defender que “tem coragem para agir, corrigir erros do passado e deixar um legado de gestão transparente”.
“Como se arrecada R$ 40 milhões e se paga R$ 130 milhões de taxa do lixo? Todo reajuste traz sim impopularidade, mas eu não estou pensando na impopularidade, mas nos resultados que vamos trazer para a cidade em serviços de qualidade nos próximos anos”, disse Adriane, ao defender que o reajuste é necessário para equilibrar as contas. Só que a sua taxa do lixo teve redução de 41%.
Prefeita mais impopular da história de Campo Grande e a pior do Brasil, segundo institutos de pesquisas, Adriane lamentou sofrer perseguição. No entanto, nenhum prefeito mais perseguido do que Alcides Bernal (PP), que acabou cassado após ofensiva dos vereadores, dos caciques políticos da época, dos meios de comunicação, do MPE e do Tribunal de Contas do Estado.
Prefeita tem apoio
Apesar da impopularidade e dos problemas de gestão, Adriane Lopes tem o apoio da senadora Tereza Cristina, um dos principais caciques do bolsonarismo no Estado, e do governador Eduardo Riedel (PP). Ela conta com o apoio do presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), que até propôs, nesta segunda-feira, um pacto por Campo Grande.
A fala da prefeita aconteceu na abertura dos trabalhos legislativos da Câmara dos Vereadores, nesta segunda-feira (02) e em meio a incertezas sobre o IPTU, que pode ter o veto derrubado pelos vereadores amanhã. Em dezembro, o cancelamento do aumento de 396% no IPTU foi aprovado pelos vereadores, mas vetado por Adriane.
No entanto, a estratégia da prefeita de atualizar a cobrança da taxa do lixo como forma de equilibrar a crise financeira do município, não deu certo até o momento. Foi o famoso tiro pela culatra. Conforme dados da arrecadação municipal, em janeiro deste ano, a Prefeitura de Campo Grande recebeu R$ 148,8 milhões com o pagamento IPTU. O montante é 51% menor que os R$ 308 milhões arrecadados em janeiro de 2025 com o tributo. Três ações judiciais tentam derrubar o aumento e já contam com parecer favorável do Ministério Público Federal.
Vale lembrar que em 2025, Adriane Lopes aumentou o próprio salário, de R$ 21.263,62 para R$ 26.943,05. Em outubro, decreto de contenção de gastos, baixou os salários do primeiro escalão em 20%, mas o salário da gestora ainda deve sofrer dois aumentos, para R$ 31.912,56 em 2026 e chega a R$ 35.462,22 em 2027.
Expectativa para primeira sessão do ano
Na tribuna na abertura dos trabalhos legislativos, vereadores também não citaram diretamente o aumento do IPTU e nem a votação de amanhã, mas comentaram sobre a impopularidade da gestão municipal e a crise financeira que Campo Grande enfrenta.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT), lembrou que 80% da população da cidade reprova a gestão e não isenta a Câmara disso. “Não podemos iniciar um ano legislativo, sem encarar essa doída realidade. Não se trata de perspectiva e sim de questões que a cidade precisa, precisamos resolver, sob pena de estarmos faltando com nosso dever de representar a população”, disse.
Já o presidente da Câmara, vereador Epaminondas Silva Neto, o Papy (PSDB), destacou que “os vereadores estão comprometidos com Campo Grande” e falou na necessidade de unir esforços em um “pacto que ajude a cidade a sair da crise financeira”.
Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres