Ações do Banco do Brasil (BBAS3) caem hoje com temor de sanções dos EUA em dia de julgamento de Bolsonaro

Prédio do Banco do Brasil (BBAS3); ações sofrem na Bolsa hoje em meio a temor de novas sanções pelos EUA. (Foto: Adobe Stock)

Investidores temem aplicação da Lei Magnitsky contra banco estatal, que já sofre com resultados financeiros desde o 1T25

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) hoje recuavam 2,89% nesta terça-feira (2), cotadas a R$ 20,49 por volta das 16h30, em meio à escalada das tensões envolvendo possíveis novas sanções do governo dos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator da ação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A queda amplia um 2025 já marcado por oscilações bruscas nos papéis do banco estatal e incertezas para seus investidores.

De acordo com a CNN em Washington, o presidente americano avalia incluir o Banco do Brasil no pacote de penalidades, enquanto ocorre o julgamento de Bolsonaro no processo da trama golpista. A hipótese reforçou o clima de cautela no mercado financeiro. O Departamento do Tesouro dos EUA estaria estudando formas de ampliar punições a instituições brasileiras desde 18 de agosto, data em que o ministro Flávio Dino defendeu a soberania do País diante da pressão externa.

“Nenhum tribunal estrangeiro pode anular as sanções impostas pelos EUA ou proteger alguém das severas consequências de descumpri-las”, publicou a embaixada americana no X (antigo Twitter).

No dia seguinte, o Banco do Brasil divulgou nota afirmando que atua em conformidade com a legislação brasileira e internacional e que está “preparado para lidar com temas complexos”. A resposta buscou acalmar investidores, mas não impediu novas especulações.

O fez o BB cair?

Apesar da sinalização da gestão do banco sobre perspectivas de melhora nos fundamentos depois da divulgação do balanço do segundo trimestre de 2025, o Banco do Brasil não escapou dos efeitos da crise desencadeada pela Lei Magnitsky.

A resposta do mercado foi imediata: desde agosto, os principais bancos listados em Bolsa – Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander (SANB11), BTG (BPAC11) e Banco do Brasil – perderam, juntos, R$ 41,98 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria. Somente o BB registrou uma redução de R$ 7,25 bilhões.

Linha do tempo: há quanto tempo o BB sofre?

Banco do Brasil (BBAS3) e a crise da Lei Magnitsky

DataEvento
30 de julhoLei Magnitsky cai sobre Alexandre de Moraes. O episódio marca o início da pressão diplomática que mais tarde atingiria o setor financeiro brasileiro.
18 de agostoO ministro Flávio Dino defende a soberania nacional diante da pressão externa. O Departamento do Tesouro dos EUA começa a avaliar punições a instituições brasileiras, incluindo o Banco do Brasil.
19 de agostoO Banco do Brasil divulga nota oficial dizendo atuar em conformidade com a legislação brasileira e internacional, assegurando estar “preparado para lidar com temas complexos”. O comunicado não elimina especulações.
21 de agostoO cartão internacional de Alexandre de Moraes, da bandeira Mastercard, é bloqueado. Ele recebe um novo cartão Elo, emitido pelo Banco do Brasil. Analistas avaliam que a medida irritou o governo americano e elevou as chances de retaliações contra o banco.
Fim de agostoA embaixada dos EUA publica no X (ex-Twitter): “Nenhum tribunal estrangeiro pode anular as sanções impostas pelos EUA ou proteger alguém das severas consequências de descumpri-las.” O mercado reage com cautela.
2 de setembroAs ações do Banco do Brasil (BBAS3) caem. O recuo reflete o temor de que Donald Trump inclua o banco em novas sanções, em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro.

Tabela: E-InvestidorObter dadosCriado com Datawrapper

Fonte: einvestidor.estadao.com.br/Por Isabela Ortiz

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