Voto que faltou: vereadores ‘vira-casacas’ e faltosos punem moradores da Capital
Metade da Câmara deixou os moradores da Capital com a conta para pagar. (Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado/Reprodução)
Faltou apenas um voto para a Câmara Municipal de Campo Grande derrubar o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) e garantir o fim do aumento abusivo e ilegal na taxa do lixo, que acabou elevando em até 396% o IPTU 2026. No entanto, os moradores da Capital vão ter de arcar com o prejuízo graças aos vereadores que mudaram de lado e aos que faltaram à sessão mais importante do ano, que mal começou.
Ao posarem como paladinos a favor do povo quando a crise do IPTU estourou em janeiro, 20 vereadores aprovaram, em sessão extraordinária, o projeto de lei complementar que suspendeu o decreto que alterou o PSEI (Perfil Socioeconômico dos Imóveis), responsável pelo valor da taxa do lixo explodir para a maioria dos campo-grandenses. Adriane vetou no dia seguinte. Quase um mês depois, somente 14 parlamentares tiveram coragem de manter o voto.
Como seriam necessários 15 votos para que o veto fosse rejeitado, os vereadores que viraram a casaca e os que faltaram acabaram pesando para o resultado final. Fazem parte do primeiro grupo: Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), Dr. Jamal Salem (MDB) e Leinha (Avante).
O caso de Leinha chama atenção porque, na primeira votação, ele contou que a cobrança da população chegou ao ponto de “não conseguir ir mais à igreja”. Todavia, o vereador “cristão” decidiu deixar de lado seus eleitores e ser fiel à aliada que comanda a prefeitura.
Completam a lista dos oito parlamentares que votaram pela manutenção do veto, nesta terça-feira (10): Beto Avelar, Delei Pinheiro, Dr. Victor Rocha, do PP, portanto, da base da prefeita; Professor Juari (PSDB) e Wilson Lands (Avante). Todos estes faltaram à primeira votação, no dia 12 de janeiro, para evitar o desgaste com a opinião pública.
Já os vereadores Dr. Lívio Leite (União Brasil), Fábio Rocha (União Brasil), Júnior Coringa (MDB) e Neto Santos (Republicanos) deixaram o povo na mão, ao voltarem para suspender o reajuste abusivo na taxa do lixo, mas se ausentaram no momento decisivo para derrubar o veto da prefeita Adriane Lopes.
Landmark Rios (PT) e Silvio Pitu (PSDB) faltaram nas duas votações. Ronilço Guerreiro (Podemos), ausente em janeiro, votou pela derrubada do veto ontem, mas não foi suficiente para atingir a quantidade mínima necessária.
É sempre bom lembrar que o salário mensal de cada nobre edil é de R$ 26 mil e a verba de gabinete, R$ 25 mil, sendo que a única obrigação é comparecer às sessões que acontecem duas vezes na semana, nas terças e quintas-feiras.
Precisamos de 29 vereadores?
Esse é o questionamento que faz o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Adelaido Vila, que acompanhou a votação no Legislativo nesta terça-feira, 10 de fevereiro. O dirigente diz estar feliz com os 14 vereadores que votaram a favor do povo.
“Eu saio hoje da Câmara feliz com 14 vereadores que fizeram enfrentamento, que tiveram perdas de espaço dentro da gestão municipal, mas que votaram em favor do povo porque entenderam com que a forma com que foi construída toda essa teórica análise do perfil econômico de Campo Grande sequer foi debatida pela sociedade civil”, diz o presidente da CDL.
Adelaido faz referência ao vereador Maicon Nogueira (PP), que mesmo sendo da base da prefeita Adriane e perdendo cargos de indicados na administração municipal, manteve seu voto pela derrubada do aumento abusivo no IPTU 2026.
“A gente viu vereadores que propuseram uma lei que derrubava a forma com que essa taxa do lixo foi construída e que simplesmente recuaram na última semana. E a gente sabe de toda a ação que a prefeitura fez dentro da Câmara Municipal para que ela tivesse aquilo que ela quer consolidado”, afirma Vila.

O presidente da CDL diz lamentar a ausência de seis vereadores na sessão e os oito que “votaram contra a população”. “Muito triste por aqueles que se negaram a votar, lavaram as suas mãos e foram tratar da sua vida. E fico triste por aqueles que foram pra plenária defender algo que a gente sabe que é descabido e vai atrapalhar o desenvolvimento econômico da cidade”, criticou.
Por fim, diante deste cenário, Adelaido questiona a necessidade da Capital ter de bancar 29 vereadores. “Voltei para a minha entidade pensando: por que nós temos vinte e nove vereadores, se no momento tão duro, tão difícil, que a gente vive, uma decisão que vai impactar o bolso, a família, o prato do campo-grandense, por que só vinte e dois [votaram]?”, ponderou.
“Já que a preocupação que a gente tem hoje é de redução de custos, redução de gastos, será que efetivamente a gente precisa de 29? Sendo que na hora do ‘vamo vê’ apenas 22 estavam lá”, finaliza.
Reajuste continua suspenso
Apesar do resultado na Câmara de Vereadores, o aumento abusivo no IPTU e na taxa do lixo continua suspenso pela Justiça. O juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, acatou pedido de liminar em mandado de segurança da OAB/MS e suspendeu o tarifaço do IPTU.
O magistrado determinou que a prefeitura só aplique o índice de 5,32%, como prevê o decreto da prefeita Adriane Lopes, e não o aumento abusivo de até 396%. Ele ainda determinou que a prefeitura recalcule o valor do tributo em 30 dias.
A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, inclusive pelo presidente da corte, desembargador Dorival Renato Pavan.
Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo