Secretário minimiza greve de assistentes e presidente do sindicato diz que Emeis vão parar
Assistentes da educação infantil devem cruzar os braços após o Carnaval. (Foto: Izaias Medeiros/CMCG)
O secretário de Educação de Campo Grande, Lucas Bitencourt, minimizou o impacto que a eventual greve dos assistentes de educação infantil terá no funcionamento das Emeis (Escolas de Educação Infantil). De acordo com o titular da pasta, os professores de níveis 1 e 2 dão conta de suprir a ausência dos demais trabalhadores.
A presidente do Sindicato dos Assistentes de Educação Infantil, Natali Pereira de Oliveira, por outro lado, afirma que as escolas não possuem estrutura para receber todas as crianças e que só os professores não vão dar conta sem o auxílio da categoria.
O sindicato definiu indicativo de greve para o dia 19 de fevereiro, após o Carnaval. O ano letivo na rede municipal de ensino teve início nesta segunda-feira (9). Mais de 100 mil alunos retornaram às aulas em todas as 207 unidades educacionais.
Lucas Bitencourt comentou a situação dos assistentes de educação, durante coletiva de imprensa, e disse que está preparado para a paralisação.
“É interessante falar que Campo Grande é uma das únicas capitais do Brasil que tem professor no grupo 1 e 2. É diferente em outros lugares. A gente fica mais seguro nesse processo porque ter professores para desde bebês até os maiores, traz um grande acalanto para nós”, declarou o secretário.
O titular da pasta também fez um afago na categoria. “Claro que nós dependemos 100% das assistentes porque elas fazem o cuidado com muita responsabilidade, com muito carinho e fica nosso agradecimento a todas elas”, exaltou.
Apesar de enaltecer as assistentes, a prefeitura não apresentou nenhuma proposta para a categoria nem marcou reunião. As profissionais querem reajuste salarial de 31,57%, para elevar o salário de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil, mais vale alimentação no valor de R$ 300 e a volta ao direito de serem atendidas pelo ServMed, o plano de saúde dos municípios.
A pauta ainda inclui a recontratação de Natali de Oliveira, presidente do Sindicato dos Assistentes de Educação Infantil, alvo da retaliação da prefeita Adriane Lopes (PP) após o protesto na Câmara Municipal. Ela trabalhava há oito anos no município.
A presidente do sindicato diz que o secretário de Educação defende que os professores dão conta de atender a demanda porque “não sabe o que é passar na pele”.
“Garanto que nem mesmo os professores concordaram com isso pois valorizam e sabem da nossa necessidade como assistentes de educação infantil dentro das Emeis, não têm estrutura para receber todas as crianças e não vão dar conta sem a nossa categoria”, rebateu Natali.
“Até o momento estamos no aguardo das propostas da prefeitura e de reunião. Visto que já temos data marcada para assembleia e lá decidir em votação”, finalizou.
Antes de oficializar a greve, a categoria deve publicar o edital de convocação de assembleia geral em Diário Oficial e comunicar a Secretaria Municipal de Educação e os pais com 72h de antecedência sobre a paralisação.
A greve só deverá começar no dia 23, na segunda-feira seguinte ao Carnaval. A paralisação pode deixar 34 mil estudantes sem aulas na rede municipal de ensino.
Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo