Bebe água em jejum? Nefrologista avalia qual é o real efeito no corpo

O nefrologista Elber Rocha explicou as vantagens e cuidados necessários para implementar o hábito de beber água em jejum; entenda/Pexels

Você é do time que bebe água logo que sai da cama? Segundo o nefrologista Elber Rocha, coordenador do Programa de Transplantes do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, essa prática é segura, saudável e muito vantajosa — mas é preciso ter algumas atenções no que é mito ou verdade.

Segundo o expert, a recomendação é especialmente importante entre aqueles que não têm o hábito de beber água ou acabam passando muitas horas sem se hidratar.

“Na prática, é uma forma simples de repor parte do líquido perdido durante o sono, como na respiraçãosuor e urina. Também é uma forma de ‘dar a largada’ no consumo hídrico do dia”, comenta Elber Rocha.

Saiba os reais efeitos de beber água logo ao acordar

Além da reidratação, Elber frisa que beber água ao despertar pode estimular a função renal, promovendo urina mais diluída nas horas seguintes. Apesar da indicação em jejum, o expert reforça que não existe horário mágico para beber água.

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A falta de água muda o funcionamento de vários sistemas do organismo, desde a regulação da pressão até o equilíbrio dos sais minerais

“Para quem tem histórico de pedras nos rins (desde que o total diário de líquidos seja suficiente), é extremamente desejável que se estabeleça o hábito. As diretrizes para formadores de cálculos recomendam volume urinário ≥ 2,5 L/dia — o que, em geral, exige ingerir bastante líquido ao longo do dia”, aponta o especialista.

Quando se trata de pessoas sem nenhuma condição atrelada às funções dos rins, Elber reforça que o ideal é ingerir cerca de 250 a 500 ml de água pela manhã, quantidade suficiente para a maioria das pessoas saudáveis. O mais importante, porém, é manter o consumo total de líquidos adequado ao longo do dia.

“A recomendação geral de ingestão hídrica é de 3,7 litros diários para homens e 2,7 litros para mulheres, considerando alimentos e bebidas. Um bom guia para saber se houve hidratação suficiente é observar cor e volume da urina ao longo do dia: urina muito escura e pouco volume sugerem baixa ingestão hídrica”, esclarece Elber Rocha.

O nefrologista também menciona benefícios para o intestino. “É possível notar uma melhora discreta em constipação e bem-estar subjetivo entre aqueles que antes bebiam muito pouco”, emenda.

Outro ponto positivo em começar o dia se hidratando, segundo Elber, é garantir que se atinja a meta de água diária. “O benefício real muitas vezes é comportamental: quem começa cedo tende a manter o hábito”, pontua.

Água com limão em jejum traz mais benefícios?

A famosa água com limão em jejum também é uma prática que muitos aderem por considerar altamente saudável. De acordo com Elber, o hábito se faz eficaz entre pessoas que querem tornar o consumo de água mais agradável e facilitar a adesão ao hábito de hidratação constante.

Do ponto de vista da nefrologia, o expert destaca ainda que que o limão fornece citrato, composto extremamente vantajoso para algumas condições de saúde.

“O citrato presente no limão pode aumentar o citrato urinário em alguns pacientes. Essa característica pode ser útil como adjuvante na prevenção de certos cálculos, especialmente no que tange ao cálcio-oxalato em pessoas com hipocitratúria — ou seja, quando há facilidade para a formação de cálculos renais. Há estudos e análises sugerindo possível benefício, mas ainda com algumas limitações”, explica.

Por outro lado, o especialista reforça que a água com limão não é milagrosa. “Ela não é eficaz como um aliado para a queima de gordura e também não funciona como um aliado para o tratamento de gastrite”, esclarece Elber Rocha.

A exposição frequente à acidez do limão também pode trazer prejuízos e, por isso, exige cuidado. “A combinação pode contribuir para desgaste do esmalte dentário, especialmente se ficar ‘sorvendo’ ao longo do tempo. Uma dica prática é tomar de uma vez, evitar escovar os dentes imediatamente após e/ou usar canudo pode reduzir o contato com os dentes”, sugere Elber Rocha.

Contraindicação e mitos

Apesar dos benefícios, o especialista reforça que há exceções na hora de começar a beber água em jejum, sobretudo, quando o assunto é a quantidade para a hidratação.

“Pessoas com condições como insuficiência cardíaca, cirrose com retenção de líquidos, doença renal avançada ou uso de certos medicamentos podem precisar de restrição hídrica. Beber água em grandes volumes rapidamente, mesmo em jejum, também pode causar um quadro raro, mas grave, chamado hiponatremia — uma diluição perigosa do sódio no sangue”, alerta Elber Rocha.

Médico conversando na sala de atendimento e entregando uma receita ao paciente. - receita médica - atestado médico
Antes de implementar qualquer estratégia de saúde, consulte um especialista

O especialista também chama a atenção para mitos relacionados a ingestão do líquido. O primeiro deles é que o hábito de se hidratar em jejum desintoxica o corpo.

“Isso é um fato parcial. Os rins e o fígado fazem a depuração continuamente. A água apenas ajuda a manter a urina menos concentrada, mas não ‘detoxifica’ de forma especial por ser em jejum”, garante Elber Rocha.

Há quem acredite também que, para garantir os efeitos desejados, é preciso beber água morna em jejum. “A temperatura é questão de conforto. O efeito metabólico é pequeno e não depende disso”, salienta.

A última “certeza” comum nos consultórios, de acordo com Elber, é a ideia de que beber água pela manhã pode prevenir a infecção urinária. “Essa afirmação tem algumas nuances. Maior ingestão hídrica pode reduzir episódios de cistite recorrente em alguns grupos, mas isso depende do contexto e do total diário. Não é ‘a água da manhã’ em si. Revisões de ensaios clínicos sugerem benefícios em alguns desfechos, mas os resultados variam”, conclui.

Fonte: metropoles.com/Beatriz Bonfim, Claudia Meireles

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