Cientistas brasileiros devolvem movimentos a tetraplégicos com proteína de placenta
Após 25 anos de investigação científica, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) alcançaram um marco histórico na medicina regenerativa: a recuperação de movimentos em pacientes com lesão completa da medula espinhal. O tratamento experimental, baseado em uma proteína extraída da placenta humana, desafia o paradigma de que o sistema nervoso central não pode se regenerar.
O Caso Bruno: Do Esmagamento à Independência
Um dos maiores símbolos do sucesso da pesquisa é o bancário Bruno Drummond de Freitas. Em 2018, um grave acidente de carro resultou no esmagamento completo de sua medula cervical. “Acordei sem fazer movimento algum”, recorda.
A família autorizou a inclusão de Bruno no protocolo experimental ainda na mesa de cirurgia. O cronograma de recuperação impressionou a equipe médica:
- 2 semanas: Primeira movimentação do dedo do pé.
- Meses depois: Recuperação da capacidade de erguer as pernas.
- Atualmente: Independência motora completa, permitindo-lhe andar e dançar, mantendo apenas limitações leves.
A Ciência por trás da Polilaminina
O sistema nervoso central humano perde a capacidade de regeneração na fase adulta porque o organismo deixa de produzir proteínas guia. A chave da descoberta brasileira reside na laminina, uma proteína abundante no desenvolvimento embrionário que funciona como um “mapa” para os neurônios.
Como o tratamento funciona:
- Recriação de ambiente: Os cientistas utilizam a polilaminina (versão sintética e potencializada da proteína natural).
- Ponte Biológica: Aplicada no local da lesão, ela cria uma malha organizada que orienta os neurônios.
- Reconexão: Estimulados pela proteína, os neurônios voltam a crescer, atravessam a cicatriz da lesão e estabelecem novas conexões elétricas.
“Para que um movimento aconteça, não é necessária a regeneração total, mas sim que poucas conexões voltem a funcionar para transmitir o impulso elétrico”, explicam os pesquisadores.
Próximos Passos e Desafios
Embora os resultados sejam revolucionários, o tratamento ainda está em fase de testes clínicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) monitora o estudo e exige a ampliação do número de pacientes para garantir a segurança e eficácia a longo prazo.
Os cientistas ressaltam que o fator tempo é crucial: os melhores resultados ocorrem quando a substância é aplicada logo após o trauma, antes que a cicatriz medular se torne rígida demais para ser atravessada pelas novas fibras nervosas.
Com informações de Brasil Paralelo