Secretários batalham para convencer vereadores a manter veto de Adriane e tarifaço no IPTU
Marcelo Miglioli e Ulisses Rocha estiveram na Câmara Municipal em pleno sábado. (Foto: Divulgação/CMCG)
Os secretários municipais de Infraestrutura e Serviços Públicos, Marcelo Miglioli, e de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, se reuniram com vereadores na Câmara Municipal de Campo Grande para convencer os parlamentares a manter o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) e o aumento do IPTU 2026.
O encontro aconteceu em pleno sábado (31), às vésperas da votação marcada para esta terça-feira (3). Os secretários apresentaram dados técnicos e financeiros relacionados à taxa de lixo, que impactou no aumento abusivo dos valores nos carnês do Imposto Predial e Territorial Urbano distribuídos no fim do ano passado.
De acordo com Miglioli, existe um desequilíbrio financeiro entre a arrecadação e as despesas na coleta do lixo na Capital. Em 2023, a prefeitura gastou cerca de R$ 119 milhões e arrecadou R$ 35 milhões. Em 2024, os números atingiram R$ 123,5 milhões e R$ 41 milhões, respectivamente. No ano passado, os custos subiram para R$ 137 milhões, frente ao recolhimento de R$ 41,8 milhões.
“Apresentamos dados que mostram os custos reais dos serviços de limpeza urbana e coleta de resíduos, reforçando a importância de um equilíbrio financeiro para a manutenção desses serviços”, declarou Marcelo Miglioli após a reunião.
Ulisses Rocha afirmou que para bancar o déficit, a prefeitura tem que tirar dinheiro de outras arrecadações. “Para honrar o compromisso com a Solurb, a prefeitura precisa retirar o restante com ISS e IPTU”, relatou.
“O Executivo mostrou o balanço e o valor do contrato pago à Solurb para que os serviços sejam mantidos. Então, eu acredito que a Câmara vai manter o veto para dar estabilidade à prefeitura e investir o valor arrecadado também para não faltar remédio, vaga em creche e serviços essenciais”, defendeu o secretário de Governo.
O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Silva Neto, o Papy (PSDB), disse que o encontro teve apenas caráter informativo. “Recebemos as informações técnicas do Executivo para que os vereadores tenham subsídios na análise do veto e possam tomar uma decisão com responsabilidade”, afirmou.
Impasse institucional
O prazo final para o pagamento do IPTU à vista foi prorrogado para o dia 12 deste mês. Em dúvida e na esperança de se livrar de um aumento abusivo e ilegal, o contribuinte está na expectativa.
Durante a crise instalada no início deste ano pelo aumento abusivo do tributo, o secretário Ulisses Rocha chegou a divulgar que houve queda de R$ 200 milhões na arrecadação. A receita despencou de R$ 380 milhões, na primeira quinzena de janeiro, para R$ 160 milhões.
Os vereadores suspenderam o aumento, mas Adriane vetou o projeto aprovado por 20 dos 29 parlamentares no dia 12 de janeiro deste ano.
Após a derrubada do decreto pelos vereadores, que anulou o PSEI (Perfil Socioeconômico dos Imóveis) de 2025 e restabeleceu o de 2017, a prefeita Adriane Lopes mudou o discurso. O secretário de Governo afirmou que houve aumento acima da inflação, para atualização da planta imobiliária, e que o projeto foi aprovado pelos vereadores.
A chefe do Executivo acusou os legisladores de propagarem mentiras à população ao afirmarem que não sabiam do reajuste abusivo. Na versão de Adriane, os parlamentares não só sabiam, como aprovaram. Um dos pontos citados para justificar a nova versão foi a audiência pública realizada pelo vereador André Salineiro (PL), que debateu a mudança e até apresentou um estudo sobre o IPTU.
Na terça-feira, o povo de Campo Grande vai saber quem está do seu lado na Câmara Municipal.
Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo