Empresários pressionam vereadores para derrubar veto e cancelar aumento do IPTU
Vereadores estiveram na CDL (Foto: Divulgação/Assessoria )
Empresários de Campo Grande estão pressionando vereadores para derrubar o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) e barrar o aumento do IPTU 2026. O veto será analisado na primeira sessão Legislativa do ano, na terça-feira (3) e o setor promete comparecer ao plenário.
A cobrança por uma atitude foi cobrada em reunião realizada nesta quinta-feira (29), entre empresários da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e 12 vereadores. “Nós queremos que os vereadores vetem o veto da prefeita, independe se ela vai entrar na Justiça posteriormente”, afirma o presidente da CDL, Adelaido Figueiredo.
Segundo ele, a população está endividada e não tem condições de arcar com o aumento abusivo do IPTU. “Não podemos concordar com isso, a prefeita precisa economizar e encontrar outras maneiras de aumentar a arrecadação, que não seja em cima da população”.
Presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Silva Neto, o Papy (PSDB), afirmou que os parlamentares decidiram nesta semana a votar o veto da prefeita. Mas, levantamento do Correio do Estado, mostra que sete vereadores estão indecisos sobre a votação, o que pode interferir no resultado.
Conforme a reportagem, dos 29 vereadores, 14 disseram ser contra o veto, mas para derrubá-lo são precisos 14 votos favoráveis. Papy só precisa participar da votação em caso de empate.
Sob ataque e queda na arrecadação
Inicialmente, a prefeita Adriane Lopes negou o aumento acima da inflação de 5,32%, como prevê o decreto, e afirmou que os reajustes abusivos eram erros e poderiam ser corrigidos. Na Justiça, a Procuradoria Geral do Município informou que foram 251 pedidos para corrigir o valor do Imposto Predial e Territorial Urbano até a semana passada.
O secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, chegou a divulgar que houve queda de R$ 200 milhões na arrecadação. A receita despencou de R$ 380 milhões, na primeira quinzena de janeiro, para R$ 160 milhões.
Após a derrubada do decreto pelos vereadores, que anulou o PSEI (Perfil Socioeconômico dos Imóveis) de 2025 e restabeleceu o de 2017, a prefeita mudou o discurso. O secretário de Governo afirmou que houve aumento acima da inflação, para atualização da planta imobiliária, e que o projeto foi aprovado pelos vereadores.
Com a mudança de discurso, a prefeita acusou os vereadores de propagarem mentiras à população ao afirmarem que não sabiam do reajuste abusivo. Na versão de Adriane, os parlamentares não só sabiam, como aprovaram. Um dos pontos citados para justificar a nova versão foi a audiência pública realizada pelo vereador bolsonarista André Salineiro (PL), que debateu a mudança e até apresentou um estudo sobre o IPTU.
Agora, na próxima semana, os vereadores vão dar o xeque-mate em Adriane. Caso mantenham o veto, correm o risco de serem arrastados junto com a prefeita para a lama da impopularidade. Atualmente, a gestora é reprovada por 85% dos moradores da Capital e figura no ranking nacional como a pior prefeita do Brasil.