Deputado, pai e irmãos viram réus por organização criminosa armada e jogo do bicho
Operação Successione: Gaeco acusa o grupo de ser violento e tentar expandir a exploração do jogo do bicho (Foto: Arquivo)
Condenado a 16 anos por organização criminosa, roubos e exploração do jogo do bicho, o deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), virou réu pela 2ª vez. O juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande aceitou a denúncia contra o bolsonarista, o pai, Roberto Razuk, 84 anos, e os irmãos, Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto.
A Justiça Estadual recebeu denúncia apresentada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), tornando rés 20 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa armada voltada à exploração do jogo do bicho, alvo da 4ª fase da Operação Successione.
A decisão judicial, proferida pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande no último dia de expediente antes do recesso do fim de ano de 2025, confirmou que a peça acusatória preenche os requisitos legais, expondo fatos criminosos que envolvem a disputa pelo monopólio da contravenção penal na capital e no interior do estado, sob chefia de um núcleo familiar sediado em Dourados.
Segundo o Gaeco, o grupo operava de forma estruturada, com clara divisão de tarefas e utilização de mecanismos de lavagem de dinheiro. Entre as práticas apontadas estão o uso de empresas de fachada para mascarar atividades ilícitas e a tentativa de interferência em licitações públicas.
Os envolvidos respondem pelos crimes de integração em organização criminosa, exploração de jogo do bicho, lavagem de capitais e corrupção ativa.
A denúncia também destaca o emprego de violência e a corrupção de agentes públicos para assegurar a manutenção das atividades ilegais do grupo. Além dos assaltos a mão armada, o grupo é acusado de planejar a execução de integrantes do grupo rival na exploração do jogo do bicho em Campo Grande.
“O acervo probatório que fundamentou o recebimento da denúncia inclui dados obtidos por meio de interceptações telemáticas, que sugerem a hierarquia interna e o controle financeiro do negócio clandestino. Durante as diligências, foram apreendidas mais de 700 máquinas de aposta, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em espécie”, apontou o Ministério Público Estadual.
Documentos financeiros também indicam a aquisição de bens móveis e imóveis em nome de terceiros como estratégia para ocultar a origem dos recursos.
Com a abertura da ação penal, os acusados serão citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias.
Como a maioria dos réus está presa, o julgamento deve ser agilizado pela Justiça.

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt