Em derrota para Câmara, Adriane barra desconto de 20% e apenas prorroga IPTU até fevereiro
A prefeita de Campo Grande rejeitou os apelos dos vereadores para reduzir valor do IPTU. (Foto: Divulgação/Arquivo)
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), decidiu deixar de lado o principal pedido da comissão especial da Câmara Municipal e rejeitou o retorno do desconto de 20% para o pagamento do IPTU 2026. Como prêmio de consolação, a chefe do Executivo ampliou o prazo para pagamento do tributo com desconto de 10% à vista até o dia 12 de fevereiro.
A medida foi divulgada pela prefeitura da Capital no início da tarde desta quarta-feira (7). A prorrogação para o pagamento acabou sendo um paliativo diante das negociações com a comissão de vereadores sobre o reajuste abusivo no Imposto Predial e Territorial Urbano de 2026. O grupo de parlamentares chegou a pedir para a população não pagar o IPTU até uma decisão definitiva.
A comissão especial de vereadores solicitou formalmente ao Executivo, na terça-feira (6), para que restabeleça o desconto de 20% para pagamento à vista do IPTU, como sempre ocorreu em anos anteriores. O pedido foi rejeitado.
Os moradores de Campo Grande vão ter de se contentar apenas com o prazo maior para pagamento à vista do tributo.
“Já acatamos a prorrogação do prazo e vamos estender o pagamento com desconto à vista até o dia 12 de fevereiro. Com isso, o cidadão terá todo o mês de janeiro e mais 12 dias de fevereiro para realizar o pagamento à vista com 10% de desconto. Além disso, vamos ampliar o atendimento no Centro de Atendimento ao Cidadão, reforçando as equipes para melhor atender a população”, declarou o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov), Ulisses Rocha.
Durante as negociações, a pedido de empresários, advogados e vereadores, a equipe da prefeita tinha assegurado que o pagamento do IPTU seria prorrogado e o desconto voltaria a ser de 20%, uma tradição de décadas na Capital.
“É muito mais que falta de respeito, é a demonstração inequívoca de como ‘brincar’ com a população”, disse o vereador Marquinhos Trad (PDT) sobre o impasse no comando do Paço Municipal, na manhã de hoje.

Desta forma, apesar de toda mobilização para reduzir os valores que chegaram a aumentar até 396%, a prefeita Adriane Lopes apenas prolongou a mesma situação estabelecida nos carnês que os moradores de Campo Grande começaram a receber no fim de 2025.
De nada adiantou os vereadores defenderem a possibilidade de suspensão da cobrança do IPTU, com o enquadramento de qualquer reajuste exclusivamente dentro do índice oficial de inflação, o IPCA de 5,32%.
A suspensão da cobrança do IPTU também havia sido solicitada pela ADVI (Associação dos Advogados Independentes), CRECI (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis), Câmara dos Dirigentes Lojistas, FCDL-MS (Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas de MS) e Sindicato dos Engenheiros de Mato Grosso do Sul. Um levantamento apontou que 64% dos imóveis tiveram reajuste acima da inflação e que chegaram a 396%.
Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo