Nasry Asfura, apoiado por Trump, é proclamado presidente de Honduras
Partido Nacional retoma o poder após governo de Xiomara Castro. Foto: Marvin RECINOS / AFP. Foto: Marvin Recinos/MARVIN RECINOS
O empresário Nasry Asfura foi proclamado oficialmente nesta quarta-feira, 24, presidente eleito de Honduras, três semanas após eleições marcadas por disputa apertada e denúncias de fraude. Apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Asfura venceu com vantagem inferior a um ponto percentual sobre o apresentador de televisão Salvador Nasralla, que não reconhece o resultado.
Sua vitória marca o retorno da direita ao poder em um dos países mais pobres da região, após quatro anos de governo de Xiomara Castro. Também acentua o avanço de governos conservadores na região depois das guinadas ocorridas no Chile, Bolívia, Peru e Argentina.
Apoio dos EUA e reações
Em publicação na rede social X, Asfura afirmou estar “preparado para governar” e disse que tomará posse em 27 de janeiro. Aos 67 anos, ele é empresário do setor da construção civil, filho de imigrantes palestinos e ex-prefeito de Tegucigalpa.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, parabenizou o presidente eleito e afirmou que Washington espera cooperar com o novo governo “para promover a prosperidade e a segurança no hemisfério”.
O presidente da Argentina, Javier Milei, classificou o resultado como uma “derrota contundente do narco-socialismo”. Em comunicado conjunto, Argentina, Bolívia, Costa Rica, Equador, Panamá, Paraguai, Peru e República Dominicana disseram que a atuação de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia contribuiu para a legitimidade do processo eleitoral.
Denúncias e bastidores da eleição
O segundo colocado, Salvador Nasralla, vinha exigindo uma ampla recontagem dos votos e afirmou não reconhecer a vitória de Asfura. A apuração foi marcada por interrupções causadas por falhas nos sistemas eleitorais, o que atrasou a proclamação oficial do vencedor.
Durante a campanha, Trump ameaçou cortar a ajuda financeira a Honduras caso seu aliado não vencesse o pleito. Após a votação, o ex-presidente americano também concedeu indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández (2014–2022), que cumpria pena de 45 anos nos Estados Unidos por narcotráfico.
Violência, polarização e desafios
Asfura assumirá um país marcado por forte polarização política e altos índices de violência. Honduras enfrenta a atuação de organizações criminosas ligadas ao narcotráfico e a gangues como Barrio 18 e Mara Salvatrucha.
Embora o número de homicídios tenha recuado nos últimos anos, o país ainda registra uma das taxas mais altas do continente, com cerca de 27 assassinatos por 100 mil habitantes em 2024. Organizações civis denunciam que medidas de segurança adotadas pelo governo atual resultaram em violações de direitos humanos.
Apuração sob questionamentos
A missão de observação da OEA afirmou não ter identificado indícios de fraude, embora o secretário-geral do organismo, Albert Ramdin, tenha lamentado que a recontagem não tenha sido concluída integralmente.
O Conselho Nacional Eleitoral proclamou Asfura vencedor após a apuração de 97,8% dos votos. O país não conta com um árbitro eleitoral independente, já que três partidos dividem o controle do conselho e do tribunal eleitorais./AFP
Fonte: msn.com/História de Redação