Reajuste salarial de MS não cobre a inflação e gera revolta por falta de diálogo e renúncia fiscal bilionária

Enquanto propõe 3,81% de aumento para servidores, governo Riedel mantém política de isenções que deve alcançar R$ 13,4 bilhões em 2028

O funcionalismo público de Mato Grosso do Sul reagiu com indignação à proposta de Revisão Geral Anual (RGA) anunciada pelo governador Eduardo Riedel. O projeto, que fixa o reajuste em 3,81%, foi recebido como um “balde de água fria” pelas categorias, uma vez que o índice sequer repõe a inflação oficial do período (IPCA), registrada em 4,17%. O anúncio desencadeou uma crise de confiança, centrada na ausência de negociação e no volume recorde de impostos que o Estado deixa de arrecadar para beneficiar setores empresariais.

“Diálogo prometido e negado”

Para o Fórum dos Servidores Públicos de MS, o maior questionamento não foi apenas o baixo reajuste, mas a forma como ele foi imposto. O coordenador do Fórum, Ricardo Bueno (SINTSS), relembrou as promessas de campanha do governador e criticou a postura atual da gestão. Os coordenadores se reuniram na tarde de terça-feira (24), após públicação do baixo índice de reajuste do RGA pelo governador Eduardo Riedel. 

“Mais uma vez, o governador contrariando tudo que prometeu ao Fórum dos Servidores e aos servidores públicos estaduais durante sua pré-campanha, que buscaria o diálogo. Esse diálogo não houve”, afirmou Bueno.

Conforme o coordenador, os servidores esperavam uma negociação “cara a cara”, algo que não ocorreu antes da publicação do índice. “Governador, precisamos de diálogo frente a frente. Foi isso que o senhor nos prometeu e, pior de tudo, fica parecendo que o senhor dialogou com as entidades. Momento nenhum o senhor nos recebeu”, desabafou.

Inflação vs. Isenções Fiscais

A revolta dos 86 mil servidores, entre ativos e inativos, ganha contornos mais graves quando comparada à saúde financeira do Estado em relação às empresas. Enquanto o governo justifica o baixo reajuste com a queda na arrecadação do ICMS, os dados da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) mostram que o Estado escolhe abrir mão de receitas bilionárias.

  • Reajuste Proposto: 3,81% (Perda real frente aos 4,17% da inflação).
  • Renúncia Fiscal 2026: Projeção de R$ 11,95 bilhões em impostos não cobrados.
  • Projeção 2028: Renúncia deve chegar a R$ 13,4 bilhões.
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“A gente vê o pior: o governo fazendo benesses com impostos, onde ele abre mão de 30% de arrecadação em detrimento do servidor público, beneficiando grandes empresários”, ressaltou o Fórum dos Servidores.

Embate na Assembleia Legislativa

A matéria foi aprovada em primeira discussão na Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (25), sob regime de urgência, mas enfrentou forte oposição. Os deputados João Henrique (NOVO) e Zeca do PT (PT) votaram contra o índice de 3,81%, argumentando que o valor é insuficiente.

O deputado Zeca do PT destacou que o equilíbrio fiscal não pode servir de pretexto para penalizar quem opera os serviços essenciais. “Isso não é falta de dinheiro. Isso é escolha de prioridade. O governo escolhe abrir mão de receita e depois diz que não pode valorizar melhor quem trabalha na ponta, na saúde, na educação, na segurança”, afirmou o parlamentar durante a sessão.

Impacto

O governo estima um impacto de R$ 353,5 milhões para os cofres públicos em 2026 com o novo índice. Contudo, para o Fórum dos Servidores, a conta não fecha para o trabalhador, que já carrega uma defasagem salarial histórica de quase 40%, apenas tendo como base o governo anterior, o antecessor de Riedel, ex-governador Reinaldo Azambuja.

As entidades sindicais agora prometem intensificar a pressão por meio informes, exigindo que o governo apresente transparência sobre os impactos da renúncia fiscal e reveja o índice para garantir, no mínimo, a reposição da inflação.

Texto e imagens: Roberta Cáceres / Servidor Público MS

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