Pollon nega pedido de R$ 15 milhões e critica abandono em julgamento: “Fui jogado aos leões”

(Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados)

Horas depois de vir à tona o suposto pedido de R$ 15 milhões para não ser candidato a governador nas eleições deste ano, o deputado federal Marcos Pollon (PL) foi ouvido no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (25),  no julgamento por ofensas ao presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) durante manifestação bolsonarista em Campo Grande.

Em sessão esvaziada e apenas uma testemunha de defesa, Pollon criticou ter sido abandonado por colegas da Casa e negou ter pedido dinheiro para desistir da candidatura. “Por que minha cabeça, praticamente, foi oferecida em uma bandeja? A impressão que eu tenho é que fui jogado aos leões, oferecido como boi de piranha”, declarou o sul-mato-grossense.

O deputado federal disse que indicou oito testemunhas, mas apenas uma foi aceita, seguindo o critério de que só poderiam depor quem estava presente na ocasião em que Pollon chamou Hugo Motta de “bosta” e “baixinho de um metro e sessenta”. 

No entanto, o deputado federal Coronel Meira (PL-PE), única testemunha, disse que não estava em Campo Grande e que só ficou sabendo das ofensas “pela mídia”. A principal linha de defesa de Marcos Pollon é se amparar na imunidade parlamentar.  

“Porque a atividade principal do parlamentar é parlar, é falar. E se a gente começar a limitar a possibilidade de falar qualquer coisa dentro e fora dessa Casa, a única coisa que vai sobrar pra gente é indicar emenda”, defendeu o bolsonarista.

Ao criticar o plenário vazio em seu julgamento, Pollon, de certa forma, elogiou a atuação da esquerda no processo contra o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), que teve o mandato suspenso por seis meses e escapou de ser cassado.

“Glauber Braga teve um exército da esquerda o defendendo”, disparou Pollon, que também comparou sua situação com outros fatos que teriam acontecido dentro da Câmara dos Deputados, mas não resultaram em processo no Conselho de Ética.

“Além da inexistência absoluta de tratamento isonômico, ou seja, tratamento igual entre os deputados, há uma total e absoluta falta de proporcionalidade. Um discurso que eu faço numa manifestação a mais de mil quilômetros daqui hoje está sendo tratado como mais grave do que agressões físicas, xingamentos feitos aqui dentro, assédio sexual”, relatou o sul-mato-grossense.

“Cretinos, canalhas”

Durante o julgamento, foi exibido o vídeo em que Marcos Pollon chama Hugo Motta de “bosta” e “baixinho de um metro e sessenta”, por não tomar uma atitude contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e não pautar o projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, que destruíram a sede dos três poderes em Brasília.

Na gravação, o deputado federal também cita “cretinos” e “canalhas”. Questionado sobre a quem se referia, Pollon aproveitou para negar o suposto pedido de R$ 15 milhões para abrir mão da candidatura ao governo de Mato Grosso do Sul.

“As mesmas pessoas que falaram pro nosso futuro presidente Flávio Bolsonaro que eu tava pedindo R$ 15 milhões pra recuar na minha pré-candidatura ao governo do meu estado, cujo argumento que eu disse que a única possibilidade que eu tenho de recuar a minha pré-candidatura é se o presidente Bolsonaro determinar que eu concorra ao Senado”, justificou.

Pollon e Gianni Nogueira teriam pedido uma fortuna para não serem candidatos ao Governo e ao Senado em MS, segundo anotações de Flávio divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo. (Foto: Reprodução)

Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo

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