Justiça condena juiz, empresário e advogado a pagar R$ 4,2 mi por propina em precatório

Júnior tem mais um revés na Justiça: condenado a pagar R$ 1,7 milhão por receber propina para liberar precatório (Foto: Arquivo)

O juiz aposentado Aldo Ferreira da Silva Júnior, o advogado Ildefonso Lucas Gessi e o empresário Pedro André Scaffi Raffi, sócio oculto do magistrado, foram condenados por improbidade administrativa e vão ser obrigados a pagar R$ 1,370 milhão – o valor corrigido pela Selic supera R$ 4,2 milhões.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual, ele recebeu R$ 274 mil em propina para liberar precatório quando era juiz auxiliar da vice-presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O precatório era da Prefeitura Municipal de Campo Grande.

A sentença do juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, foi publicada no Diário Oficial da Justiça nesta quinta-feira (19). Apesar de envolver o desvio dos cofres públicos e causar prejuízos à sociedade, o processo tramita em sigilo, apesar da publicidade estar prevista na Constituição.

Conforme o despacho, Trevisan julgou parcialmente procedente a ação. Ele inocentou a mulher do juiz, a advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva. Os réus podem recorrer da sentença ao TJMS.

Ressarcimento, multa e perda da função

Aldo Ferreira da Silva Júnior foi condenado a ressarcir os cofres municipais em R$ 274 mil e ao pagamento de multa civil no mesmo valor, de R$ 274 mil. O montante deverá ser corrigido pela taxa da Selic desde o dia 7 de fevereiro de 2014, quando houve o pagamento da propina e a liberação do precatório. O valor atualizado a ser pago pelo juiz aposentado é de R$ 1,7 milhão.

Aldo também terá os direitos políticos suspensos pelo período de 10 anos e ficará proibido de contratar ou receber benefícios do poder público por 10 anos. Ele ainda perderá a função pública. O MPE poderá usar o precedente do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e pedir para cassar a aposentadoria do magistrado, que supera R$ 60 mil por mês.

Trevisan também condenou o advogado Ildefonso Lucas Gessi a pagar multa civil de R$ 274 mil, a suspensão dos direitos políticos por oito anos e proibido de contratar com o poder público pelo mesmo período.

O empresário Pedro Raffi, acusado de ser sócio oculto do juiz e de ter recebido o dinheiro da propina, foi condenado a pagar multa civil de R$ 274 mil, a suspensão dos direitos políticos por oito anos e não poderá firmar contratos ou receber benefícios do poder público pelo mesmo período. A empresa dele, Raffi e Raffi Veículos (Vetta Veículos), também terá que pagar multa de R$ 274 mil.

Conforme a denúncia do promotor Humberto Lapa Ferri, Gessi pagou vantagem indevida ao juiz Aldo, que era auxiliar na vice-presidência do TJMS, para liberação do pagamento de precatório. De forma parcelada, a quantia foi para Pedro André Scaff Raffi, apontado como sócio oculto do juiz.

Aldo Ferreira da Silva Júnior é alvo de outras ações por improbidade e de três ações penais por corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Ele foi aposentado compulsoriamente pelo TJMS por denúncia de corrupção.

Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, processo em sigilo, apesar de envolver desvio dos cofres públicos (Foto: Arquivo)

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

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