Gestão Adriane sonha com “explosão”, mas colhe queda na arrecadação do IPTU, taxas e Cosip
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP) tentou aumentar a arrecadação com o aumento abusivo de 396% no IPTU 2026, mas na realidade está tendo que lidar com menos dinheiro entrando nos cofres públicos. E o pior, a queda na arrecadação não está restrita ao IPTU.
Dados da transparência municipal mostram que as receitas do IPTU, taxas e Cosip (Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública), tiveram queda nos dois primeiros meses do ano, comparado ao mesmo período de 2025. Na prática, se as finanças da prefeitura já estavam ruins no ano passado, a tendência é piorar.
Para se ter ideia, a arrecadação com IPTU até 28 de fevereiro foi de R$ 310 milhões, montante 8,5% menor que os R$ 338,8 milhões arrecadados no mesmo período do ano passado. Lembrando que além do aumento abusivo devido ao reajuste da taxa do lixo, a prefeitura também tirou o desconto de 20% para o pagamento à vista, limitando a 10%.
A queda na arrecadação da Cosip é ainda maior neste início de 2026. Nos dois primeiros meses do ano, a prefeitura de Campo Grande recebeu R$ 30,9 milhões referentes ao imposto da iluminação pública, 10,4% a menos que no mesmo período do ano passado (R$ 34,5 milhões).
Já as taxas administrativas renderam ao município apenas R$ 5,5 milhões entre janeiro e fevereiro deste ano, o que significa uma queda brusca de 49% em relação ao R$ 9,9 milhões arrecadados no mesmo período de 2025.
População endividada
Os números mostram que o campo-grandense está sem dinheiro no bolso e deixando de pagar contas. Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor mostra que 70,1% das famílias de Campo Grande estavam endividadas em janeiro de 2026, o que representa 246.050 famílias com algum tipo de dívida no município.
Conforme os dados levantados pela Fecomércio, entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, o nível de endividamento chega a 72,5%. Outro número alarmante é que 12,5% das famílias da Capital não terão condições de pagar as contas em atraso no próximo mês, o equivalente a 43.890 famílias.
Enquanto a prefeitura tenta cobrar do campo-grandense mais impostos, a população se afunda em dívidas. E apesar de promover arrocho, cortando contratos e decretando necessidade de economia, seus secretários têm ganhos de até 41% nos salários, além do próprio reajuste de até 66% na base dos subsídios, que tiveram o acréscimo de nova fatia no último mês de fevereiro.
Além disso, em meio a crise financeira e o maior aumento do IPTU na história de Campo Grande, Adriane Lopes elevou em até 41% o salário pago aos secretários municipais. A maior beneficiada é a concunhada da prefeita e chefe da Casa Civil, Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes, que teve o total de créditos, considerando-se subsídio e penduricalhos públicos, saltando de R$ 23,5 mil, em janeiro de 2025, para R$ 33,3 mil no mês passado.
Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres